A União Europeia apresentou nesta terça-feira (20) uma nova estratégia para ampliar sua presença no Ártico. O documento foi divulgado em meio ao acirramento de tensões geopolíticas e a disputas por fontes de energia e minerais estratégicos na região, segundo a DW Brasil.
A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que, com Rússia e China ampliando presença e ambições, o Ártico se tornou uma linha de frente da competição global por poder. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE precisa mudar sua postura estratégica quando soberania, integridade territorial e regras de estabilidade da região já não podem ser consideradas garantidas.
O que a proposta prevê
O texto propõe a criação de um Centro de Segurança Marítima para rastrear a chamada “frota fantasma” russa — embarcações antigas usadas para contornar sanções ocidentais ao petróleo russo. Também defende mais esforços para monitorar, proteger e auxiliar na reparação de cabos submarinos, após suspeitas de que submarinos russos planejem sabotar parte dessa infraestrutura.
A estratégia inclui ainda ampliar a frota europeia de quebra-gelos, embarcações projetadas para abrir caminho em águas cobertas de gelo, e fortalecer conexões de transporte entre o Ártico e a Europa para usos civis e militares. Outro ponto central é integrar portos, ferrovias, terminais de energia e sistemas digitais e de satélites às redes de transporte e comércio da região, aproximando-a dos mercados europeus.
Autoridades estimam que a Europa disponha de cerca de dez quebra-gelos, a maioria na Finlândia, contra aproximadamente 40 da Rússia. Segundo autoridades da UE, Moscou reativou e modernizou bases militares da era soviética no Ártico e manteria grande concentração de armas nucleares na Península de Kola.
Limites e posições em jogo
A Rússia acusa a Otan de promover a militarização da região. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou em agosto que Moscou busca preservar a paz e a estabilidade no Ártico e reduzir ameaças à segurança nacional do país. A Comissão Europeia ressalta que a proposta não pretende competir com a Otan, da qual 23 países da UE também fazem parte.
Ao comentar o plano à DW, o comissário europeu responsável pela estratégia, Jozef Síkela, classificou as ações da Rússia no Ártico como “sem precedentes” e chamou de “catastrófico” o nível de perfuração pelo país na região. Ele afirmou que a UE hoje não tem acesso a informações da maior parte do território ártico e que a guerra russa contra a Ucrânia mudou completamente o cenário de colaboração entre os Estados árticos.
Síkela descreveu os Estados Unidos como “um ator estratégico muito importante no Ártico”, apesar das ameaças do presidente Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo do reino da Dinamarca. O comissário, no entanto, evitou dizer se a Casa Branca continua sendo um parceiro alinhado à UE em todas as questões da região.
Do ponto de vista geográfico, as áreas mais ao norte da Finlândia e da Suécia, ambos membros da UE, ficam na região ártica. Mais de meio milhão de cidadãos do bloco vivem lá. Dinamarca, Finlândia e Suécia são Estados-membros, enquanto Islândia e Noruega integram o mercado único europeu.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/em-meio-ao-acirramento-de-tensões-geopolíticas-ue-lança-estratégia-para-ampliar-presença-no-ártico/a-79715965?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




