Sueco vive há três anos no pórtico de mansão vazia de R$ 1,4 bi em Londres

Anders Fernstedt mora na entrada de imóvel de 45 cômodos em Knightsbridge; Londres tem 105.138 imóveis vazios e 4.392 pessoas dormindo nas ruas.

Anders Fernstedt mora na entrada de imóvel de 45 cômodos em Knightsbridge; Londres tem 105.138 imóveis vazios e 4.392 pessoas dormindo nas ruas.
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Um sueco de nome Anders Fernstedt vive há mais de três anos no pórtico de uma megamansão abandonada em Knightsbridge, área central de Londres próxima ao Palácio de Buckingham, ao Hyde Park e à loja Harrods. O imóvel no endereço 2-8A Rutland Gate foi vendido em 2020 por 210 milhões de libras (cerca de R$ 1,4 bilhão), valor recorde na época, segundo a DW.

O comprador foi Hui Ka Yan, fundador do grupo chinês Evergrande. Conforme a reportagem, ele foi condenado à prisão perpétua em agosto e nunca morou no local, registrado em nome de sua esposa. O congelamento dos bens dela impede o confisco do imóvel pelos liquidantes, o que mantém a propriedade em uma situação indefinida.

Como é a moradia improvisada

Fernstedt nunca entrou na casa, que aparenta deterioração. Ele montou seu espaço sob as colunas do pórtico, com colchões, roupas de cama e um grande guarda-sol. O edifício tem 45 cômodos, piscina coberta e 116 janelas. Segundo ele relatou à DW, não passa noites ruins de sono em nenhuma estação e aproveita a brisa no calor por não ter paredes.

Ele conta que mantém contato com comerciantes locais, como padarias, cafés e floriculturas, dos quais recebe alimentos não vendidos, flores e acesso à rede elétrica. Também recorre a uma instituição de caridade perto de Victoria para tomar banho, conseguir roupas e socializar. Parte dos vizinhos se incomoda com sua presença, enquanto outros avaliam que ela ajuda a evitar invasões e vandalismo.

O que os números de Londres mostram

A reportagem diferencia duas situações que costumam ser confundidas: imóveis vazios e pessoas dormindo nas ruas. A organização beneficente Crisis estima mais de 200 mil pessoas em situação de rua na capital inglesa. Entre abril e junho, 4.392 pessoas foram registradas dormindo nas ruas de Londres, alta de 4% ante o mesmo período do ano anterior e de 58% em dez anos.

Já os dados do governo citados pela DW apontam 105.138 imóveis vazios em Londres em 2025, o equivalente a uma em cada 37 residências. São indicadores de naturezas distintas: o primeiro mede pessoas sem moradia, e o segundo, unidades desocupadas. Um número não indica automaticamente quantas dessas pessoas poderiam ser alojadas nas casas vazias, nem que todo imóvel desocupado esteja em condições de uso.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que tomou posse em julho, comprometeu-se a dar a todas as pessoas que dormem nas ruas da Inglaterra uma alternativa para deixar essa condição até o Natal, de acordo com a DW. O material recebido não detalha como essa oferta seria executada nem quais critérios seriam usados.

Fernstedt afirma saber que o imóvel pode se tornar inviável para moradia a qualquer momento, mas diz não viver mais com a preocupação de que tudo desapareça ao virar a esquina. Ele descreve sua rotina como uma vida à margem do dinheiro e diz que, quando vizinhos perguntam do que precisa, responde que já recebeu o que pediu: um pouco de normalidade e uma conversa amigável.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/o-sem-teto-que-vive-na-entrada-de-uma-megamansão-abandonada-em-londres/a-79714046?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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