A ministra Nilsoni de Freitas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o pedido de soltura e decidiu manter a prisão preventiva de dois investigados. Ambos são alvos de uma apuração sobre suposta circulação de recursos do Comando Vermelho no Amazonas. A decisão foi divulgada na quarta-feira, 14 de outubro.
No despacho, a relatora apontou risco concreto de continuidade das atividades sob investigação. Para ela, medidas alternativas à prisão não seriam suficientes. O caso corre no Amazonas e reúne suspeitas financeiras levantadas pela Polícia Federal.
Investigações e defesa
Conforme a Polícia Federal, empresas ligadas aos dois investigados teriam recebido repasses que somam mais de R$ 3,6 milhões, enviados de contas sob controle de um dos chefes da facção. As transações ocorreram entre janeiro e abril de 2025. Um dos alvos teria feito movimentações que chegam a cerca de US$ 72 milhões em criptomoedas.
As apurações tratam de operações de câmbio feitas sem aval do Banco Central e de indícios de lavagem de dinheiro que envolveriam duas empresas, uma casa de câmbio e uma barbearia, segundo a decisão citada pelo Portal do Holanda.
A 4ª Vara Federal do Amazonas determinou as prisões preventivas em março de 2026, e as medidas foram cumpridas no mês seguinte. Em junho, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra os dois investigados.
No habeas corpus, a defesa afirmou que a prisão perdeu justificativa, uma vez que a apuração foi encerrada. Segundo os advogados, a peça do MPF não menciona tráfico nem associação para o tráfico, mas sim delitos financeiros, organização criminosa e sonegação fiscal.
A defesa também sustentou que as contas bloqueadas, os bens sequestrados e as limitações impostas às criptomoedas seriam suficientes para impedir novas transações irregulares.
O habeas corpus foi apresentado pelos advogados dos dois presos depois do cumprimento das prisões, em abril, e da denúncia do MPF, em junho.
A decisão
Desembargadora convocada do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a relatora considerou que a repetição das movimentações, os valores elevados e o fato de uma das empresas estar em atividade quando as prisões ocorreram sinalizam risco de que as práticas continuem.
Ela ressaltou que a prisão preventiva pode continuar válida mesmo quando se apoia em fatos antigos, desde que existam razões atuais para mantê-la. Com a negativa do habeas corpus, os dois permanecem presos.
A ministra não examinou os argumentos sobre o encerramento da investigação e sobre o teor da denúncia, porque esses pontos ainda não haviam passado pelo crivo das instâncias inferiores.
A origem do caso
As prisões foram cumpridas em 23 de abril, em São Paulo, na Operação Torre 7, da Polícia Federal, que investiga o núcleo financeiro de uma organização criminosa com atuação no Amazonas, segundo o g1. Um dos presos é sargento da Polícia Militar do Amazonas; o outro é venezuelano. Segundo a PF, os dois são apontados como sócios de uma casa de câmbio em Manaus que funcionava sem autorização do Banco Central. Na operação, foram apreendidos cerca de US$ 5 milhões em ativos digitais, e um terceiro investigado, apontado como um dos chefes da facção, era considerado foragido. À época, a PM informou ter instaurado procedimento interno.
Os dois são investigados e denunciados, sem condenação, e têm direito à presunção de inocência. O Politiza Amazonas não publica os nomes deles. Nas fontes consultadas, a manifestação das defesas é a do habeas corpus descrita acima; o espaço segue aberto.
Foto: Reprodução/Portal do Holanda
Fontes: Portal do Holanda — https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/stj-mantem-prisao-de-investigados-por-lavagem-de-dinheiro-ligada-ao-comando-vermelho-no-amazonas; G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/23/sargento-da-pm-e-venezuelano-sao-presos-suspeitos-de-movimentar-milhoes-em-criptomoedas-para-faccao-no-am.ghtml; EG Notícias — https://egnoticias.com/2026/10/14/eg-noticias271/




