Starlink: como a rede de Musk virou peça-chave em guerras e crises

Serviço de internet via satélite é usado por militares, hospitais e manifestantes, mas gera dependência e riscos ambientais, segundo a DW.

Serviço de internet via satélite é usado por militares, hospitais e manifestantes, mas gera dependência e riscos ambientais, segundo a DW.
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A Starlink, rede de internet via satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk, deixou de ser apenas uma solução para regiões remotas e passou a ocupar posição central em zonas de guerra e áreas de crise. A avaliação consta de reportagem da DW publicada em 16 de outubro. O sistema reúne quase 10 mil pequenos satélites em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros da superfície, e permite conexão de alta velocidade onde cabos ou fibra ótica não chegam.

Segundo a DW, a dependência do serviço ficou evidente na Ucrânia. Os militares ucranianos recorrem à Starlink para comandar tropas, pilotar drones e operar veículos terrestres sem tripulação. No setor civil, a conexão atende desde unidades de saúde e equipes de resgate até companhias de energia e a estrada de ferro do país. Nesta semana, unidades do Exército ucraniano relataram restrições na transmissão de dados, o que teria prejudicado a operação de drones de combate, interceptação e reconhecimento.

Onde o sistema é usado

Na guerra civil do Sudão, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal. Centenas de dispositivos teriam sido contrabandeados para o país via Emirados Árabes Unidos, formando um mercado negro de terminais. As Forças Armadas Sudanesas tentam bloquear a importação e o uso.

No Irã, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados e revendidos no mercado ilegal, permitindo que manifestantes coordenassem atos contra o regime apesar da censura estatal. O serviço é oficialmente proibido no país. Mohammad Amin Aghamiri, secretário do Conselho Supremo do Ciberespaço do Irã, classificou a Starlink como uma “ferramenta de guerra” hostil e afirmou que o regime dispõe de mecanismos para interromper conexões via satélite.

A legislação iraniana prevê detenção de seis meses a dois anos para quem utilizar o serviço apesar da proibição. Em casos associados a ameaça à segurança nacional ou espionagem, a pena capital também pode ser aplicada.

Na Faixa de Gaza, desde julho de 2024, a Starlink tem sido usada para fins humanitários em uma área amplamente destruída. Entidades de socorro e um hospital de campanha conseguem empregá-lo em telemedicina e na logística de atendimento. O acesso generalizado para civis permanece restrito, em parte por temores de segurança por parte de Israel.

Dependência e riscos

Por ser muitas vezes a única conexão disponível em zonas de conflito, a Starlink confere a Musk influência sobre a comunicação de forças armadas e organizações humanitárias. A DW cita que Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também ameaçou a Ucrânia com o desligamento dos satélites para forçar Kiev a fazer concessões nas negociações.

Há ainda críticas ambientais. Os satélites são produzidos em massa e têm vida útil de cerca de cinco anos. Em média, um ou dois satélites se desintegram na atmosfera por dia; o óxido de alumínio liberado nesse processo pode prejudicar a camada de ozônio e agravar o aquecimento global. Além disso, os satélites refletem a luz solar e tornam o céu noturno mais claro, com possível impacto sobre a vida selvagem.

Alternativas ao monopólio da Starlink vêm sendo desenvolvidas, principalmente na Europa. O maior concorrente privado da SpaceX é a Eutelsat, cujo serviço OneWeb conta com mais de 600 satélites, frota significativamente menor que a da Starlink.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/starlink-como-empresa-de-musk-influencia-a-geopolítica-global/a-75949037?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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