O Amazonas está em emergência em saúde pública por 180 dias. O decreto foi publicado na segunda-feira (26) e leva em conta a estiagem severa, as queimadas e a dificuldade de transporte no estado. O texto menciona acidentes fluviais em Borba, Itamarati e Eirunepé que causaram perdas ou comprometeram cargas de medicamentos, insumos e produtos hospitalares.
Entre os casos está o naufrágio da embarcação Almirante Moreira, em 24 de setembro, no trajeto entre Manaus e Borba. Conforme a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), os 16 cilindros de oxigênio medicinal perdidos abasteceriam a Unidade Hospitalar Vó Mundoca, inclusive em urgências, emergências e no tratamento de pacientes internados.
Perdas em outros municípios
Em Itamarati, um acidente com embarcação em 21 de agosto resultou na perda de medicamentos e materiais que iriam para a Atenção Primária à Saúde e para o hospital municipal. Em Eirunepé, a carga da balsa Vovó Amazonas ficou em contato com água e umidade depois de um acidente perto de Itamarati; de acordo com a gestão municipal, tudo se perdeu.
A SES-AM declarou que levar esses materiais cabe às administrações municipais, mas que oferece apoio quando há pedido. Já o decreto estabelece providências para preservar ou recompor o envio de remédios, cilindros de oxigênio e demais itens às unidades atingidas, além de planejar rotas alternativas de transporte e distribuição.
O que acontece agora
Na assistência, 49 municípios receberam o Kit Calamidade Ampliado, entregue pela Central de Medicamentos do Amazonas (Cema). Cada remessa tem perto de 106 tipos de itens, num total aproximado de 30.027 unidades: antimicrobianos, analgésicos, anti-inflamatórios, antiasmáticos, anti-hipertensivos, antidiabéticos, soluções e eletrólitos, além de luvas, máscaras, aventais, cateteres, seringas, agulhas, gazes, ataduras e fios de sutura.
A Defesa Civil estadual aponta 47 municípios em emergência pela estiagem, 11 em alerta e quatro em atenção, com 124.221 famílias atingidas. Um levantamento preliminar encontrou 562 comunidades isoladas pela baixa dos rios. A SES-AM coordenará as ações ao lado da Defesa Civil, das prefeituras e de outros órgãos estaduais e federais, reunindo dados sobre localidades afetadas, perdas e funcionamento dos serviços de saúde.
Há ainda 19 processos administrativos abertos por pedidos municipais de remédios, insumos, equipamentos, oxigênio e logística. Na terça-feira (27), Anamã e Rio Preto da Eva receberam mais de 13 toneladas de alimentos, com 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água de 500 litros.
Com essas entregas, a primeira fase da Operação Estiagem 2026 chegou a 15 municípios. O balanço soma 4.800 cestas básicas, 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas-d’água de 500 litros, além de três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.
Foto: William Duarte/Rede Amazônica
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/29/acidente-fluvial-em-meio-a-seca-fez-hospital-do-interior-perder-16-cilindros-de-oxigenio-caso-e-citado-em-decreto-de-emergencia-no-am.ghtml





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