Instalações de energia em 11 regiões da Ucrânia foram atingidas por ataques russos na noite de domingo e na madrugada desta segunda-feira (19). O vice-ministro da Energia do país, Artem Nekrasov, informou que dezenas de milhares de pessoas perderam o fornecimento de eletricidade. Segundo ele, o governo passou a adotar cortes programados e a limitar a energia entregue a indústrias e empresas.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, declarou que a Rússia lançou 16 mísseis balísticos na direção da região de Kiev e enviou mais de 200 drones sobre o país ao longo da madrugada. Em publicação nas redes sociais, afirmou que os aliados ocidentais não avisaram a Ucrânia previamente sobre o ataque.
Atrito com Washington
A cobrança de Zelenski repete uma queixa feita na semana anterior em relação aos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o repasse de informações de inteligência à Ucrânia tenha sido suspenso. Em visita ao Uzbequistão, disse que não houve interrupção e defendeu que o esforço deve se concentrar em pôr fim à guerra.
Antes dos bombardeios, em entrevista à NBC, o líder ucraniano relatou que o envio de dados de inteligência pelos EUA ficou parado por alguns dias e havia sido retomado pouco antes. Conforme seu relato, as forças do país passaram três dias sem receber informações americanas, período em que a Rússia realizou ataques com mísseis balísticos. Zelenski sustentou que a pausa reduziu a capacidade de defesa ucraniana, mas agradeceu a volta da cooperação.
Um segundo ponto de tensão envolve o Starlink, serviço de internet por satélite que as forças ucranianas usam para se comunicar, transmitir dados e operar drones. Autoridades do país relataram queda temporária na velocidade do serviço depois que o presidente americano, Donald Trump, criticou ataques ucranianos a instalações petrolíferas da Rússia. Zelenski sugeriu que a limitação partiu de uma decisão política de Washington e que a SpaceX, empresa de Elon Musk, a aplicou na prática.
O governo dos EUA rejeitou a acusação. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, chamou a alegação de muito irresponsável e disse que nem Trump nem Rubio determinaram restrição ao sistema. Musk, por sua vez, afirmou que eventuais tetos de velocidade ou de uso cabem aos militares americanos e, em última análise, ao presidente dos Estados Unidos.
Negociações e defesa aérea
Trump voltou a atacar Zelenski e disse ter fechado um acordo com a Rússia para assegurar exportações de combustíveis em troca de alívio nas sanções contra Moscou. Em publicação no Truth Social no domingo, o republicano falou em grandes progressos nas conversas de paz, mas afirmou que o líder ucraniano não se importa com o fim do conflito e provavelmente nunca quis encerrá-lo.
Nesta segunda-feira, Zelenski respondeu que a Ucrânia nunca desejou a guerra e que acolheu todas as tentativas de mediação de parceiros internacionais. Segundo ele, a Rússia tem respondido com mísseis balísticos, drones Shahed e mortes. O presidente ucraniano também criticou o bloqueio ao envio de mísseis para a defesa aérea e o que descreveu como alívio ou adiamento de sanções contra Moscou.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/rússia-ataca-rede-elétrica-da-ucrânia-e-amplia-tensão-entre-kiev-e-washington/a-79697330?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




