A revista feminista alemã Emma, fundada em 1977 pela jornalista e ativista Alice Schwarzer, encerrará suas atividades no fim deste ano. O anúncio foi feito pela própria fundadora, hoje com 83 anos, na sede da redação em Colônia, segundo a DW Brasil. A última edição está prevista para 8 de dezembro.
De acordo com a publicação, serão 50 anos de atividade, 398 edições e 36.584 páginas. Schwarzer segue como editora e redatora-chefe até o fechamento. A revista é editada bimestralmente e, em seus melhores anos, chegou a tiragens de cerca de 200 mil exemplares.
Por que a revista acaba
Segundo o texto de despedida da redação, o motivo principal é a dificuldade de dar continuidade ao chamado “feminismo universalista”, corrente defendida pela revista desde a fundação. As editoras afirmam que tentaram repetidamente encontrar colegas que compartilhassem o mesmo espírito, inclusive uma potencial redatora-chefe, mas o processo não deu certo.
Em 2008, a jornalista Lisa Ortgies chegou a assumir a chefia editorial, mas houve um rompimento pouco tempo depois e Schwarzer retomou pessoalmente o comando. No texto de despedida, a equipe critica o que descreve como absorção do feminismo clássico por um “feminismo queer” e questiona o que seria, hoje, a definição de mulher e de homem.
O que acontece com o acervo
Todo o arquivo da Emma, incluindo caixas de documentos, correspondências e materiais de campanhas promovidas pela revista, será incorporado ao acervo do Arquivo Alemão de Literatura de Marbach. O material ficará disponível para pesquisadores e interessados, segundo a DW Brasil.
A publicação informa que a revista não opera no vermelho e que o encerramento não ocorre por razões econômicas nem pela queda de circulação. Até 2023, a tiragem havia caído para aproximadamente 26 mil exemplares; desde então, a publicação deixou de divulgar seus números de circulação.
Ao longo dos últimos anos, a postura de Schwarzer em relação às pessoas trans gerou críticas e ataques pessoais. Em 2023, durante um festival de literatura em Leipzig, 33 autoras e artistas pediram o cancelamento de uma leitura pública da jornalista, alegando que ela se destacava “repetidamente por declarações e publicações transfóbicas, racistas e misóginas”.
Schwarzer reagiu com indignação e afirmou à agência alemã de notícias dpa que nunca atacou pessoas trans, dizendo que criticava o que chamou de “nova ideologia trans”. Segundo ela, deveria ser possível defender essa opinião sem ser excluída do debate público.
As opiniões da editora sobre a guerra na Ucrânia também provocaram controvérsia. A defesa de negociações de paz rápidas com a Rússia, feita ao lado de Sahra Wagenknecht, fundadora do partido BSW, gerou duras críticas e levou muitos leitores a cancelar assinaturas.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/revista-símbolo-do-feminismo-na-alemanha-deixará-de-ser-publicada-após-50-anos/a-79729216?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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