Nos dez primeiros dias de outubro, quatro cidades do Amazonas ficaram entre as 20 do Brasil com maior número de focos de queimadas, conforme o sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com 214 focos de calor, Lábrea, município do sul do estado, aparece em quarto lugar na lista nacional.
Na oitava colocação está Boca do Acre, com 174 focos. Autazes surge em décimo lugar, somando 151 registros, e Itacoatiara fecha a presença amazonense no grupo, com 75 focos. No total, o Amazonas teve 1.380 focos de incêndio no período, conforme o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) — avanço de 271% na comparação com os mesmos dez dias de 2025, que registraram 372 ocorrências.
Áreas públicas concentraram a maior parte dos focos, com 1.186 ocorrências. Também houve registros em unidades de conservação (97), em terras indígenas (116) e em assentamentos federais (246).
Sobrevoo e reforço federal
No dia 11 de outubro, integrantes do governo federal fizeram um sobrevoo por áreas atingidas pelos incêndios. Após vistoriar pontos críticos, entre eles a região de Autazes, o grupo avaliou o cenário como preocupante e apontou indícios de ação criminosa na mata nativa.
“Mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Segundo ele, foram encontrados muitos focos de incêndio em meio a floresta preservada, e ele cobrou punição aos infratores.
Para ampliar o combate em campo, o governo federal confirmou o uso de 11 aeronaves, entre aviões Air Tractor e modelos C-390, e o envio de brigadistas do Ibama. Ainda em 10 de outubro, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu situação de emergência em 36 municípios do Amazonas.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, disse que é preciso atuar em todas as frentes, com União, estado e municípios, para apagar o fogo, e também prestar ajuda humanitária e assistência médica às pessoas atingidas. Conforme o ministro, o reconhecimento da emergência viabiliza ação conjunta das forças de resposta e o repasse de recursos, e a Força Nacional do SUS mantém equipes em atuação no estado.
Fumaça e qualidade do ar
Os incêndios no interior afetaram também a qualidade do ar. Em 10 de outubro, uma densa camada de fumaça cobriu Manaus e cidades da Região Metropolitana pelo quarto dia seguido.
Medições do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram ar em níveis péssimos na capital, em Careiro da Várzea e em Careiro. Com isso, a Defesa Civil passou a orientar a população a reforçar o uso de máscaras e a evitar atividades ao ar livre.
Desde 24 de setembro, Manaus está em estado de atenção, conforme decreto da prefeitura. Segundo a administração municipal, esse patamar é acionado quando ao menos uma ocorrência atinge a cidade e há previsão de evento de grande impacto em curto prazo. Manaus também está entre os 36 municípios do estado com emergência reconhecida pelo MIDR, no mesmo dia em que o governo do Amazonas decretou emergência.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/12/quatro-municipios-do-am-aparecem-entre-os-20-com-mais-focos-de-queimadas-no-pais-em-outubro-veja-lista.ghtml




