Protestos na França deixam um morto e quase 1.800 detidos

Manifestações contra o custo de vida e serviços públicos degeneraram em confrontos, saques e incêndios; Macron fará pronunciamento neste domingo.

Manifestações contra o custo de vida e serviços públicos degeneraram em confrontos, saques e incêndios; Macron fará pronunciamento neste domingo.
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A França contabiliza um manifestante morto, centenas de policiais feridos e quase 1.800 detidos após uma jornada de distúrbios no sábado, segundo a DW. As mobilizações, que ocorreram em várias regiões do país, tinham como pauta o encarecimento da vida e a deterioração dos serviços públicos. Apenas na capital, a polícia registrou 855 prisões, número recorde.

O presidente Emmanuel Macron marcou para as 20h deste domingo (18), no horário local — 15h em Brasília —, um pronunciamento à nação, conforme informou seu gabinete. Mais de 500 mil pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades, unindo uma greve estudantil que já completava um mês a um descontentamento social mais amplo.

O que aconteceu

Grande parte dos atos transcorreu de forma pacífica, mas grupos violentos atacaram prédios públicos, saquearam lojas de luxo e supermercados e investiram contra veículos e agentes policiais. Uma prefeitura foi incendiada e lojas foram saqueadas em várias cidades. O ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que centenas de lojas foram danificadas no sábado e que mais de 500 policiais ficaram feridos.

Em Limoges, no sudoeste, o prefeito Guillaume Guerin denunciou o incêndio que destruiu parcialmente a prefeitura, um edifício de 143 anos. Segundo ele, houve intenção clara e premeditada de incendiar o prédio, e quem estava no local temeu pela própria vida. Guerin ameaçou renunciar caso a cidade não receba o 1 milhão de euros necessário para a reparação.

Em Bordeaux, o prefeito Thomas Cazenave informou que cerca de 100 lojas foram saqueadas. Em Marselha, o prefeito Benoît Payan anunciou ajuda financeira emergencial aos estabelecimentos afetados. O CEO da rede Carrefour, Alexandre Bompard, disse à emissora BFMTV que 50 lojas da empresa foram danificadas — 20 delas saqueadas —, com prejuízos na casa das dezenas de milhões de euros.

Reação do governo e próximos passos

O ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu, atribuiu os distúrbios à “ultraesquerda” e a suspeitos. O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos proprietários de estabelecimentos prejudicados e afirmou, em comunicado, que aqueles que destroem bens pagarão, repararão os danos e serão responsabilizados.

Uma grande operação de limpeza começou em cidades como Lille, Marselha, Estrasburgo e Bordeaux. Os protestos começaram no mês passado, motivados por condições das escolas e escassez de professores nos subúrbios de classe trabalhadora, antes de se ampliarem para pautas contra a desigualdade, cortes nos gastos públicos e o aumento do custo de vida. A onda de distúrbios aumenta a pressão sobre Macron e seu governo às vésperas das eleições presidenciais previstas para o próximo ano.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/protestos-na-frança-deixam-um-morto-e-quase-1-800-detidos/a-79692651?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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