MPC-AM dá 10 dias para Defesa Civil explicar aluguel de avião de R$ 2,1 milhões

Órgão de controle cobra justificativa para contratação emergencial de aeronave com capacidade considerada insuficiente para grandes focos de incêndio.

Órgão de controle cobra justificativa para contratação emergencial de aeronave com capacidade considerada insuficiente para grandes focos de incêndio.
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O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) concedeu prazo de dez dias para que a Defesa Civil do estado explique a contratação emergencial de uma aeronave por cerca de R$ 2,1 milhões destinada ao combate a incêndios florestais. A notificação foi enviada na sexta-feira, 9 de outubro, segundo o g1 Amazonas.

O contrato, de R$ 2.138.500, foi firmado com a empresa Jasurah Aeroagrícola Ltda. Segundo o g1 Amazonas, cada voo da aeronave despeja um volume inferior a 2 mil litros de água, quantidade que a denúncia considera insuficiente diante de focos de queimadas de grande porte. A denúncia foi apresentada por um professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O questionamento também aponta que o governo estadual poderia ter pedido apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), que tem aeronaves maiores para esse tipo de missão. Entre os modelos citados está o KC-390, capaz de despejar até 12 mil litros de água em cada operação e já empregado no Pantanal. O modelo do avião alugado pela Defesa Civil não foi informado, conforme o g1 Amazonas.

A representação encaminhada ao MPC-AM pergunta ainda por que essa alternativa não foi buscada antes da contratação da aeronave menor.

Esclarecimentos pedidos pelo órgão de controle

O procurador de contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça fixou o prazo de dez dias para que o secretário-comandante da Defesa Civil do Amazonas, coronel Mauro Marcelo Lima Freire, apresente esclarecimentos sobre a contratação, segundo o g1 Amazonas.

O MPC-AM pede o contrato emergencial na íntegra e os estudos técnicos que embasaram a escolha da empresa. A Defesa Civil também terá de explicar os gastos e fornecer dados que permitam verificar se a medida trouxe vantagem econômica e se atende ao que é necessário no combate aos incêndios.

O procedimento verifica se houve problema de economicidade e de aproveitamento eficiente do dinheiro público. Até agora, não houve conclusão a respeito de eventuais irregularidades, informou o g1 Amazonas.

Depois de receber o ofício, a Defesa Civil lançou o processo no sistema do governo e mandou os documentos à Assessoria Jurídica, que fará a análise e a manifestação. Até a publicação da reportagem, o governo do Amazonas não havia se manifestado sobre a notificação; o espaço segue aberto.

Contratação sem licitação e avanço das queimadas

A contratação dispensou licitação, amparada na Lei Federal nº 14.133/2021, que permite a contratação direta em emergência ou calamidade pública, quando o atendimento precisa ser urgente, conforme o Portal CM7. O serviço inclui piloto e combustível.

O ajuste foi formalizado pela Portaria nº 118/2026, publicada no Diário Oficial do Estado e assinada em 3 de outubro, segundo o Portal CM7. A Jasurah Aeroagrícola Ltda. tem sede em Rondônia e, entre suas atividades econômicas, estão o serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas e a locação de aeronaves, de acordo com dados da Receita Federal citados pelo veículo.

Ainda segundo o Portal CM7, o texto publicado não indica por quanto tempo o contrato vale, quantas horas de voo estão previstas, quais áreas do estado serão priorizadas nem quando a aeronave entraria em operação.

A cobrança ocorre em meio ao crescimento dos incêndios no estado. Em Itacoatiara, há mais de 20 dias um grande incêndio queima a região do Lago do Canaçari, com 1,3 mil hectares atingidos. A ocorrência é apurada como crime e a Semma identificou um suspeito de participação, segundo o g1 Amazonas.

Em Careiro da Várzea, um incêndio em vegetação dura mais de dez dias, com registros na comunidade Bom Futuro, em trechos destruídos no distrito de Autaz Mirim e na comunidade Jatuarana. Parintins teve 20 focos em 8 de outubro, na área urbana e na rural; as chamas atingem plantações e já pesam no preço dos alimentos na cidade. Em Boa Vista do Ramos, ao menos oito focos foram contabilizados em 8 de outubro, conforme o g1 Amazonas.

O veículo relata ainda que as queimadas quase quadruplicaram no Amazonas e que Manaus ficou sob fumaça. Como o Politiza Amazonas informou, o MPC-AM já havia solicitado ao TCE-AM que avaliasse se as ações do governo estadual contra queimadas, incêndios florestais e a poluição do ar na estiagem de 2026 têm sido adequadas e eficazes.

Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reunido pelo órgão apontou 3.240 focos de calor no Amazonas entre 1º e 22 de setembro, ante 942 no mesmo intervalo de 2025, segundo o g1 Amazonas.

Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/10/ministerio-publico-de-contas-questiona-aviao-de-r-21-milhoes-para-combater-incendios-no-am-defesa-civil-tem-10-dias-para-explicar.ghtml; Portal CM7 — https://www.cm7brasil.com/amazonas/r-21-milhoes-no-ar-defesa-civil-do-am-banca-empresa-de-rondonia-para-combater-incendios-veja/; Politiza Amazonas — MPC-AM pede ao TCE-AM investigação sobre combate a queimadas no Amazonas

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