Mastruz: o que a ciência já confirma, o que a Ufam ainda estuda e os riscos

Uso contra vermes tem respaldo mais consistente; pesquisa da Ufam sobre vírus está em fase inicial, por simulação computacional, sem testes em pessoas

Uso contra vermes tem respaldo mais consistente; pesquisa da Ufam sobre vírus está em fase inicial, por simulação computacional, sem testes em pessoas
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Em quintais do Amazonas e de outras regiões do país, o mastruz — também chamado de erva-de-santa-maria — é preparado em chá há gerações para verminoses, resfriados, dores e inflamações, sem que exista bula que registre esses usos. Segundo o Portal do Holanda, entre as aplicações populares apenas a ação contra vermes intestinais conta com sustentação científica mais firme: o ascaridol, substância do óleo da planta, mostrou desempenho semelhante ao de vermífugos comerciais em parte dos testes realizados.

Cientistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com outras instituições, investigam outro caminho. O grupo avalia se componentes das folhas, entre eles a rutina e a nicotiflorina, teriam capacidade de interferir em enzimas que o vírus da Covid-19 utiliza para se multiplicar. A pesquisa, porém, encontra-se em fase embrionária e se apoia em simulação por computador, sem experimentos com células, animais ou seres humanos.

O que já foi testado e o que segue em investigação

A separação entre esses dois campos é o que mais interessa a quem recorre à planta. O efeito vermífugo aparece associado a estudos que o sustentam; já imunidade reforçada, alívio de dores, ação anti-inflamatória e controle da pressão são atribuições que vêm sobretudo de experimentos de laboratório ou com animais, sem o mesmo grau de confirmação em pessoas.

Quanto à frente conduzida na Ufam sobre o vírus, os próprios pesquisadores classificam o resultado como etapa inicial. A continuidade prevista são ensaios com células infectadas, em parceria com a Universidade de São Paulo. O que foi divulgado até aqui, portanto, não demonstra eficácia contra a Covid-19 nem serve de autorização para uso da planta com esse objetivo.

Riscos e contraindicações

O consumo do mastruz exige cautela. Conforme a fonte, passar de três dias seguidos de uso ou adotar quantidades altas pode provocar irritação em pele e mucosas, cefaleia, enjoo, vômito, aceleração dos batimentos, mudanças na visão, convulsões e prejuízos ao fígado e aos rins — quadros associados à toxicidade do ascaridol. A versão em óleo essencial, por ser mais concentrada, representa risco maior do que o chá.

Há grupos que não devem usar a planta: gestantes, pelo risco de estímulo a contrações do útero, mulheres que amamentam e crianças com menos de dois anos. A recomendação registrada é de acompanhamento por médico ou fitoterapeuta, uma vez que o mastruz não serve como substituto de diagnóstico ou de tratamento convencional.

A Ufam tem outras frentes na área de saúde. Como o Politiza Amazonas informou, a universidade obteve no INPI o registro do software GAIA, plataforma de inteligência artificial para busca de fármacos contra a leishmaniose.

Foto: Reprodução/Portal do Holanda

Fontes: Portal do Holanda — https://www.portaldoholanda.com.br/cura-pela-natureza/mastruz-a-planta-usada-contra-vermes-que-a-ufam-ja-testa-como-possivel-aliada-contra-virus; Politiza Amazonas — Ufam registra no INPI plataforma de IA para busca de fármacos contra leishmaniose

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