Manaus enfrenta ciclos de fumaça há uma década; AM soma 7.865 focos em 2026

Série do Inpe mostra que o Amazonas registrou 7.865 focos de queimadas até outubro de 2026, após pico de 25.499 em 2024 e queda para 4.545 em 2025.

Série do Inpe mostra que o Amazonas registrou 7.865 focos de queimadas até outubro de 2026, após pico de 25.499 em 2024 e queda para 4.545 em 2025.
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A fumaça que cobre Manaus em 2026 faz parte de um problema que se repete no Amazonas desde pelo menos 2015, segundo o g1 Amazonas. Na última década, a capital teve episódios de poluição ligados às queimadas, com dias de céu encoberto e piora na qualidade do ar.

Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reunido pela reportagem aponta 7.865 focos de queimadas no estado até outubro de 2026. No ano passado, quando as chuvas ficaram acima da média, o total foi de 4.545 focos.

O que explica a fumaça

A meteorologista Andrea Ramos, ouvida pelo g1, afirma que o volume de incêndios, sozinho, não define o quanto de fumaça chega à capital. Entram na conta a escassez de chuva, o ponto onde o fogo começa e as condições da atmosfera que mexem na dispersão dos poluentes.

Conforme a especialista, partículas finas podem ficar suspensas por horas ou dias. A Defesa Civil já identificou fumaça que chegou a Manaus vinda do sul do Amazonas, de Rondônia e do norte de Mato Grosso; em outros episódios, a origem principal foi a Região Metropolitana ou o leste do estado.

Com ventos fracos e atmosfera estável, a fumaça se concentra próxima ao solo. Nesse cenário, a poluição pode ficar mais densa mesmo em temporadas com menos focos do que as anteriores.

Série histórica e combate

Os registros do Inpe mostrados pela reportagem somam 13.419 focos em 2015; 11.173 em 2016; 11.685 em 2017; 11.446 em 2018; 12.676 em 2019; 16.729 em 2020; 14.848 em 2021; 21.217 em 2022; 19.601 em 2023; e 25.499 em 2024, o maior número da série.

Em 2023, a estiagem severa prejudicou rios, navegação e o abastecimento de comunidades do interior, e o Rio Negro chegou ao menor nível em mais de 120 anos de medições — marca superada na seca de 2024. Naquele ano, a fumaça também afetou o ar de Manaus.

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas informou ter combatido 19.224 focos de incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 7 de outubro de 2026: 3.996 na capital e 15.228 no interior. Foram 3.346 ocorrências e cerca de mil servidores envolvidos, entre bombeiros militares e brigadistas.

A operação Amazonas+Verde começou em maio, com foco no combate a incêndios florestais, no enfrentamento a ilícitos ambientais, na educação ambiental e na ampliação da capacidade operacional. De acordo com os bombeiros, entre maio de 2025 e maio de 2026 os municípios com bases permanentes passaram de 11 para 25, e o efetivo cresceu de 692 militares em 2019 para 1.651 em 2026.

Também foram incorporadas 20 viaturas, sendo 17 picapes com kits de combate a incêndio, e 453 equipamentos multimissão.

Foto: Alexandre Pereira

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/15/ha-uma-decada-manaus-enfrenta-ciclos-de-fumaca-intensa-meteorologista-explica-fenomeno.ghtml

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