O presidente da França, Emmanuel Macron, apontou nesta segunda-feira (19) erros das autoridades na prevenção e no acompanhamento dos protestos contra o custo de vida que ocorreram no país no fim de semana e acabaram em confrontos. Mesmo com as críticas, ele não aceitou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nunez, conforme a DW.
Nunez havia dito que as forças de segurança não conseguiram conter a situação em diversos locais e informou ter colocado o cargo à disposição por se julgar responsável pelo que ocorreu. O ministro também admitiu problemas na preparação dos agentes e concordou com a leitura de Macron sobre a ausência de antecipação das autoridades.
O que aconteceu nos protestos
Os atos foram chamados por centrais sindicais e organizações da sociedade civil e levaram multidões às ruas para reclamar da alta de preços, sobretudo dos combustíveis, e das desigualdades sociais. A maior parte das manifestações foi pacífica, mas grupos violentos enfrentaram a polícia, promoveram saques no comércio e atearam fogo em imóveis públicos e privados.
De acordo com o Ministério do Interior, aproximadamente 2.400 pessoas foram detidas e perto de mil policiais e gendarmes ficaram feridos. A prefeitura histórica de Limoges, no centro do país, esteve entre os alvos dos ataques. Os organizadores calculam que 500 mil pessoas tenham participado das mobilizações em território francês.
Como o Politiza Amazonas informou, o sábado já tinha terminado com um manifestante morto e quase 1.800 detidos, sendo 855 prisões só na capital, segundo a DW. A convocação foi apresentada como esforço para reanimar o movimento dos “coletes amarelos”, que sacudiu o governo francês entre 2018 e 2019.
Reação política e próximos passos
Macron ordenou que os métodos usados pelas forças de segurança sejam revistos e cobrou clareza sobre as falhas de planejamento e de inteligência anteriores aos distúrbios. No começo, o número de agentes mobilizados gerou dúvida: depois de informar um contingente menor, o Ministério do Interior retificou e declarou que cerca de 60 mil haviam sido enviados antes dos atos.
Os episódios abriram uma disputa política em um momento sensível para a França, que deve escolher o sucessor de Macron em cerca de seis meses. O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, presente à manifestação em Paris, disse que parte da imprensa deu peso excessivo à violência e sustentou que a maioria dos atos foi pacífica.
A líder da extrema direita, Marine Le Pen, atribuiu a Mélenchon a suposta legitimação da violência. Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional (RN), partido de Le Pen, também atacou a esquerda radical e chamou os responsáveis pelos distúrbios de “profissionais do caos”. O prefeito de Marselha, Benoît Payan, de campo de esquerda, repudiou o vandalismo e afirmou que demandas sociais legítimas não justificam depredar o patrimônio público nem agredir agentes de segurança.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/macron-critica-falhas-do-governo-após-violência-em-protestos/a-79696970?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




