Estupro coletivo em Itamarati: Justiça decreta prisão de cinco suspeitos; um é preso

Cinco homens são investigados; caso teria ocorrido em 18 de setembro e chegou à polícia no fim do mês. Funai diz monitorar a situação.

Crime ocorreu em 18 de setembro, em comunidade indígena do município; caso chegou à polícia na última semana do mesmo mês
Compartilhe esta notícia

Atualização (15/10): um dos investigados foi preso em 9 de outubro na zona rural de Itamarati, segundo o g1 Amazonas. Os policiais caminharam cerca de quatro horas, ida e volta, para cumprir o mandado; ele foi encontrado em casa, não resistiu e, segundo a polícia, admitiu uma “pequena participação” no crime, sem que o delegado detalhasse a declaração. A Polícia Civil buscava outros três suspeitos com prisão decretada, identificou um quinto envolvido e informou que duas pessoas que teriam ajudado na fuga vão prestar depoimento. Segundo a polícia, a adolescente passou por escuta especializada e perícia, e os suspeitos teriam oferecido bebida alcoólica a ela antes dos abusos.

A Justiça decretou a prisão preventiva de cinco homens investigados por um estupro coletivo contra uma adolescente indígena de 15 anos em uma comunidade de Itamarati, no interior do Amazonas. Segundo o g1 Amazonas, que teve acesso a documentos do processo, os pedidos de prisão partiram da 68ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), responsável pelo inquérito.

De acordo com a denúncia, o estupro coletivo teria ocorrido em 18 de setembro. O caso só chegou formalmente à polícia na última semana daquele mês, quando uma moradora procurou a delegacia para registrar a ocorrência, segundo o relato publicado pelo g1.

Ainda conforme a reportagem, a investigação ganhou repercussão depois que vídeos que supostamente mostram a agressão passaram a circular no WhatsApp, primeiro em grupos de moradores indígenas e depois entre outras pessoas da sede do município. O Politiza Amazonas não reproduz, não descreve e não indica onde encontrar esse material; compartilhar imagens de violência sexual contra criança ou adolescente é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Como o estupro coletivo chegou à polícia em Itamarati

A advogada que presta assistência jurídica à família da adolescente afirmou ao g1 que o boletim de ocorrência não foi registrado por iniciativa da vítima: segundo ela, uma moradora não indígena decidiu comunicar o caso à polícia depois de ter acesso às gravações.

Também segundo a advogada, houve divergência no início da apuração sobre quantas pessoas teriam participado. A família sustentava que eram cinco; as primeiras diligências trabalhavam com um número menor. Com o avanço do inquérito, a investigação passou a se concentrar nos cinco homens apontados pelos familiares, e documentos e dados para ajudar na identificação foram entregues à polícia, de acordo com o relato dela.

O que dizem a Polícia Civil, a Justiça e a Funai

Em nota citada pelo g1, a 68ª DIP informou que realiza as diligências necessárias, que os cinco suspeitos foram identificados e que pediu à Justiça a prisão preventiva dos investigados. A Polícia Civil acrescentou que as investigações continuam e que, por isso, outras informações não serão divulgadas neste momento. A Justiça acolheu a representação e decretou as cinco prisões preventivas. A reportagem não informa se os mandados já foram cumpridos.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou, em nota reproduzida pelo g1, que tem conhecimento do caso e monitora a situação em diálogo com representantes da comunidade indígena, em articulação com os órgãos responsáveis por saúde, assistência social e segurança pública. Segundo a fundação, pela natureza do caso, mais detalhes não podem ser tornados públicos sem autorização das famílias ou da comunidade.

Prisão preventiva não é condenação: os cinco são investigados e têm direito à presunção de inocência e à ampla defesa. Nas fontes consultadas não há manifestação das defesas. O espaço segue aberto aos investigados e a seus advogados.

Por que o Politiza não divulga mais detalhes

Em respeito ao ECA e à proteção da vítima, o Politiza Amazonas não publica o nome da adolescente, de familiares, dos investigados nem da comunidade ou da etnia, informações que poderiam levar à identificação dela.

Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, que funciona 24 horas, ou ao Conselho Tutelar e à delegacia mais próxima. Em emergência, ligue 190.

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Fontes: G1 Amazonas (9/10) — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/09/suspeito-de-estupro-coletivo-de-adolescente-indigena-e-preso-no-interior-do-amazonas.ghtml; G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/08/adolescente-indigena-e-vitima-de-estupro-coletivo-no-am-justica-decreta-prisoes.ghtml

Compartilhe esta notícia