Inpe: 8 em cada 10 focos de fogo no AM estão em imóveis rurais privados

Entre 1º e 15 de outubro, 79,1% dos 1.639 focos detectados no estado ficaram em propriedades com Cadastro Ambiental Rural, aponta análise do Inpe.

Entre 1º e 15 de outubro, 79,1% dos 1.639 focos detectados no estado ficaram em propriedades com Cadastro Ambiental Rural, aponta análise do Inpe.
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Oito de cada dez focos de fogo detectados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro estavam dentro de imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A análise é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), feita a pedido do g1, e considerou 1.639 focos registrados pelo satélite de referência no período — 79,1% deles em propriedades privadas cadastradas.

Segundo o g1 Amazonas, o estado enfrenta uma crise com o fogo que atinge cidades, incluindo Manaus. No acumulado do ano, os focos no entorno da capital estão 109% acima da média histórica para o período, conforme dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Fogo depois do desmate

O levantamento do Inpe também detalha o tipo de área atingida. Em outubro, 52,8% dos focos estavam em áreas desmatadas nos últimos três anos; 30,6% em áreas abertas há mais tempo; e 15,9% atingiram vegetação nativa. A distinção importa porque desmatamento e fogo medem coisas diferentes: o desmatamento aponta quanta floresta foi derrubada, enquanto o fogo costuma ser usado depois, para limpar a área já destruída ou renovar pasto.

É o que explica o pesquisador Aragão, citado na reportagem: quem desmata no passado usa o fogo para manter a vegetação morta e limpar a área que já devastou. Por isso, mesmo com a queda recorde do desmatamento — 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, menor índice desde 1988 —, a terra aberta em anos anteriores continua sendo queimada.

Os 15,9% em vegetação nativa, por sua vez, não indicam que a floresta em pé seja o palco principal do fogo. Segundo Aragão, com a seca reforçada pelo El Niño, o fogo fica incontrolável e avança quilômetros a partir do foco inicial. De julho até a publicação, Manaus acumulou 104 milímetros de chuva, cerca de um terço dos 316 milímetros esperados para o período, segundo o Inmet.

Autuações e investigações

O Ibama informou ter autuado 19 pessoas na última semana na região próxima a Manaus, com R$ 2 milhões em multas e mais de 250 hectares embargados. As autuações ocorreram a partir de 12 de outubro em Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana. O presidente do órgão, Jair Schmitt, afirmou que as pessoas iniciaram fogo em suas propriedades sem autorização e que, em alguns casos, as chamas avançaram sobre territórios protegidos, inclusive indígenas.

A Polícia Civil do Amazonas informou que já são mais de 120 procedimentos criminais para investigar o uso criminoso do fogo. Polícia Federal e Abin também atuam nas investigações. O Ibama destacou que a fiscalização sobre o uso do fogo nas propriedades é responsabilidade do governo estadual; segundo o g1, o governo do Amazonas foi acionado, mas aguardava retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Desde 9 de setembro, o governo estadual proibiu o fogo no estado. Para usar o fogo no manejo do solo, como limpeza de pastagem, é necessária autorização caso a caso do governo estadual — o que, conforme a reportagem, não há.

Foto: Divulgação/Ibama

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/10/21/8-em-cada-10-focos-de-fogo-no-amazonas-estao-em-imoveis-rurais-privados-queimadas-disparam-apos-o-1o-turno.ghtml

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