Comunidades indígenas da Amazônia brasileira estão reforçando brigadas de combate ao fogo e medidas de prevenção para enfrentar uma nova temporada de calor extremo e queimadas associada ao El Niño, segundo reportagem da DW Brasil publicada em 19 de outubro. O fenômeno segue em intensificação e tem previsão de permanência até março ou abril, com chuvas abaixo da média esperadas para os próximos meses.
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) elaborou um plano de adaptação para os efeitos do El Niño e de eventos climáticos extremos. Desse plano saiu uma cartilha destinada às comunidades, com orientações sobre preparação prévia à estiagem e procedimentos diante de incêndio, escassez hídrica ou isolamento.
O que a cartilha orienta
Conforme a DW, o material foi estruturado para servir a realidades territoriais distintas e propõe caminhos para a organização comunitária, a proteção de fontes de água, o abastecimento de alimentos e remédios, a preparação do território e o planejamento logístico. O técnico Ruan Guajajara, da Gerência de Monitoramento Territorial Indígena da Coiab, explicou que a intenção era fazer as informações circularem pelas comunidades e viabilizar ações concretas de proteção.
O plano da Coiab trabalha com hipóteses de estiagem severa, queda no nível de rios e igarapés, dificuldade de navegação e deslocamento, crescimento dos focos de calor e efeitos sobre a produção de alimentos, a saúde das comunidades e a proteção territorial. A entidade destaca que a apreensão não se limita ao El Niño: também pesam as mudanças climáticas e ações como desmatamento, garimpo e degradação ambiental.
Seca e queimadas em números
A pesquisadora Ana Paula Cunha, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), disse à DW que a estiagem na Amazônia se agrava desde julho, sobretudo na porção norte, alcançando Roraima, Amapá e o norte do Amazonas. Ela observou que o El Niño não explica tudo sozinho: o aquecimento do Oceano Atlântico também intensifica a seca, ainda que o Atlântico esteja no momento sem anomalia de aquecimento.
No Amazonas, o governo federal já reconheceu emergência em 36 municípios, e a fumaça afeta cidades como Manaus desde setembro. Levantamento do BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), contabiliza aproximadamente 39 mil focos de calor na Amazônia até meados de outubro, contra 24 mil no mesmo intervalo de 2025. Ainda assim, o volume é menor que o do ciclo anterior do El Niño, que teve cerca de 69 mil focos em 2023 e 112 mil em 2024 no período equivalente.
A reportagem relata também o caso da aldeia Muruary, em Santarém (PA), devastada por incêndios entre 2015 e 2016. A comunidade formou a Brigada Guardiões Kumaruara, ligada à Rede de Brigadas do Baixo Tapajós, que trabalha com o Manejo Integrado do Fogo, política pública desde 2024. Na segunda semana de outubro, brigadistas atuaram em incêndios fora da Resex Tapajós-Arapiuns para impedir que as chamas alcançassem a unidade de conservação.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/indígenas-da-amazônia-se-preparam-para-o-el-niño/a-79706190?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




