Autoridades francesas foram orientadas pelo governo a decretar toques de recolher depois que os protestos contra o encarecimento da vida terminaram em confrontos no fim de semana. Na capital, a polícia restringiu a circulação na Praça da República e em Les Halles, área comercial movimentada, das 23h desta segunda-feira (19) às 6h de terça, conforme a DW. Cidades do norte do país adotaram limitações parecidas.
O presidente Emmanuel Macron apontou falhas na prevenção e no acompanhamento das manifestações, mas manteve no cargo o ministro do Interior, Laurent Nunez, que havia colocado o posto à disposição. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou que o estado de emergência não está descartado, embora considere as restrições pontuais e circunscritas a via mais indicada neste momento.
O que aconteceu
Sindicatos e movimentos sociais convocaram os atos para cobrar respostas à alta de preços, sobretudo dos combustíveis, e à desigualdade social. A maior parte das manifestações foi pacífica, mas grupos violentos entraram em choque com agentes, saquearam estabelecimentos comerciais e provocaram incêndios em imóveis públicos e particulares, entre eles a prefeitura histórica de Limoges, na região central do país.
O balanço do Ministério do Interior aponta cerca de 2.400 detidos e quase mil integrantes da polícia e da gendarmaria feridos. Os organizadores calculam 500 mil participantes em todo o território. A pasta chegou a divulgar um contingente menor de agentes e depois retificou: eram aproximadamente 60 mil profissionais mobilizados antes dos atos.
Nunez atribuiu a decisão de deixar o cargo à sua própria responsabilidade pelos episódios e admitiu problemas no preparo das forças de segurança. Ele endossou a leitura presidencial de que faltou antecipação por parte das autoridades. Macron, por sua vez, ordenou a revisão dos protocolos das forças de segurança e cobrou clareza sobre as falhas de planejamento e de inteligência anteriores aos distúrbios.
Repercussão política
O confronto virou disputa eleitoral em um país que escolherá o sucessor de Macron em cerca de seis meses. Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, participou do ato parisiense e criticou o que considerou exagero da imprensa na cobertura da violência, sustentando que a maioria das manifestações transcorreu sem confrontos.
Marine Le Pen, da extrema direita, culpou Mélenchon por, na avaliação dela, dar legitimidade à violência. Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional (RN), também atacou a esquerda radical e classificou os responsáveis pelos distúrbios como “profissionais do caos”. Benoît Payan, prefeito de Marselha e aliado da esquerda, repudiou o vandalismo e defendeu que pautas sociais legítimas não servem de justificativa para depredar patrimônio público ou agredir agentes.
Os organizadores apresentaram a mobilização como esforço para reanimar o movimento dos “coletes amarelos”, que pressionou o governo francês entre 2018 e 2019. O episódio do fim de semana já havia sido noticiado pelo Politiza Amazonas, quando a DW registrava um manifestante morto e quase 1.800 detidos. O novo balanço do Ministério do Interior eleva as detenções a cerca de 2.400 e confirma quase mil agentes feridos.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/frança-impõe-toques-de-recolher-após-violência-em-protestos/a-79696970?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




