Falha crítica no PHP tira sites do ar e expõe 1,5 milhão de servidores sem correção

Vulnerabilidades descobertas com ajuda de IA afetaram sites públicos na Europa; desenvolvedores pedem atualização imediata do PHP.

Vulnerabilidades descobertas com ajuda de IA afetaram sites públicos na Europa; desenvolvedores pedem atualização imediata do PHP.
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Sites governamentais e empresariais em vários países ficaram fora do ar nesta quarta-feira (21) após a divulgação de vulnerabilidades críticas no PHP, linguagem de programação usada para executar páginas na internet. As falhas, segundo a DW, permaneceram ocultas por anos e foram identificadas com o uso de inteligência artificial.

Os desenvolvedores do PHP divulgaram correções urgentes e orientaram usuários em todo o mundo a atualizar os sistemas imediatamente. Órgãos públicos de países europeus retiraram seus sites do ar como medida preventiva, depois que empresas de tecnologia alertaram que as falhas já vinham sendo exploradas por hackers.

O que a falha permite e quem está exposto

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) alertou que a vulnerabilidade poderia abrir caminho para que invasores alcançassem diretamente sistemas de dados e bancos de dados hospedados em servidores. Segundo a empresa de cibersegurança Wiz, as falhas permitem que um invasor execute código remotamente sem autenticação prévia e, em um dos casos, acesse informações sensíveis armazenadas na memória dos servidores.

De acordo com dados da empresa de inteligência para internet Censys citados pela DW, cerca de 1,5 milhão dos 2,6 milhões de servidores identificados usam versões do PHP para as quais ainda não há correção disponível. A distinção é relevante: a existência de atualização publicada pelos desenvolvedores não significa que ela já tenha sido aplicada em todos os servidores, e é justamente essa defasagem que mantém parte da rede exposta.

A DW informa que o PHP está presente em aproximadamente três quartos dos sites cuja linguagem de programação pode ser identificada, conforme levantamento da plataforma W3Techs. A linguagem é usada em plataformas como WordPress, Drupal, Joomla e Magento. Tiffany Farriss, diretora-executiva interina da Associação Drupal, disse à agência Reuters que o problema afeta a maior parte da internet e que todos os servidores que utilizam qualquer versão do PHP lançada nos últimos 20 anos estarão vulneráveis.

Quem saiu do ar e o que se sabe sobre a descoberta

Na Holanda, a agência nacional de cibersegurança suspendeu o próprio site por precaução, assim como o Porto de Roterdã, o portal Overheid.nl, a federação de futebol KNVB, os sites dos cinco maiores partidos e vários hospitais. Na Dinamarca, a empresa municipal de TI Kombit suspendeu serviços, incluindo a plataforma nacional de comunicação escolar.

Na Finlândia, a fornecedora estatal Valtori relatou a retirada de serviços públicos de rede do governo como precaução. O Ministério do Interior da França colocou todos os seus sites em manutenção preventiva, e, na Alemanha, prefeituras, órgãos públicos, polícia, universidades e hospitais retiraram páginas do ar.

A Wikipedia retirou alguns sistemas até que pudessem ser atualizados com segurança, e o Internet Archive ficou temporariamente indisponível. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, publicou na rede X uma orientação para que proprietários de sites verifiquem se usam PHP e se preparem para instalar a atualização. A Casa Branca informou em nota ter tomado conhecimento da falha na sexta-feira anterior.

Segundo relatos independentes de duas empresas de cibersegurança, a vulnerabilidade foi descoberta com auxílio de IA. A Calif afirmou em publicação própria que identificou as falhas em 1º de agosto com apoio de um grande modelo de linguagem e que trabalha na correção desde então. A Wiz, pertencente à Alphabet, disse ter feito a mesma descoberta com sua ferramenta autônoma Wiz Atlas e os modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.

As duas empresas afirmaram ter notificado a equipe do PHP, que manteve o caso sob segredo até a resolução, mas os detalhes vazaram na terça-feira, um dia antes da divulgação prevista da atualização. A Automattic, responsável pelo WordPress.com, afirmou que usuários de suas soluções hospedadas e da plataforma Tumblr não foram afetados.

Conforme a DW, a exposição é maior entre sites pequenos, mantidos por pessoas ou organizações com estrutura técnica limitada, especialmente os que dependem de hospedagem compartilhada, na qual o cliente não administra o servidor diretamente.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/falha-de-segurança-revelada-por-ia-provoca-apagão-em-sites-ao-redor-do-mundo/a-79726706?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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