Os Expedicionários da Saúde (EDS) começaram no sábado (31) uma nova expedição médica em Iauaretê, distrito de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, no interior do Amazonas. A ação é a 59ª da organização e marca o início do projeto “Cuidar para Preservar”, que prevê quatro anos de atendimento a comunidades indígenas da região.
Os atendimentos seguem até 7 de novembro, segundo o g1 Amazonas. A operação reúne perto de 60 pessoas, entre médicos, enfermeiros e apoio. O local foi escolhido por ter recebido a primeira expedição da entidade, em abril de 2004.
O que a expedição oferece
A 59ª expedição concentra serviços em quatro áreas: oftalmologia, cirurgia geral, saúde da mulher e pediatria. Na oftalmologia, estão previstas cirurgias de catarata e pterígio. Na cirurgia geral, a equipe dará atenção especial a pacientes com hérnia. No atendimento à saúde da mulher, a frente de trabalho abrange a prevenção e a detecção precoce do câncer do colo do útero.
Conforme as demandas de cada comunidade, a equipe fará exames, avaliações e ações de prevenção, além de acompanhar pacientes. Para viabilizar os procedimentos, a organização leva à região um hospital móvel, com centro cirúrgico e aparelhos comparáveis aos de unidades de grande porte. São cerca de 20 toneladas de equipamentos, medicamentos e materiais, que chegam por trechos de rio e por via terrestre, dada a dificuldade de acesso ao local.
O que o projeto de quatro anos prevê
O “Cuidar para Preservar” tem duração prevista de quatro anos e apoio do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além das expedições médicas e cirúrgicas, a iniciativa prevê atendimento odontológico, consultas a distância, capacitação de profissionais locais e melhorias na estrutura dos polos de saúde indígena.
O projeto inclui ainda atendimento a pessoas amputadas, com fornecimento de próteses por meio do programa Floresta em Movimento. A meta declarada é facilitar o acesso a especialidades e reforçar a assistência à saúde indígena no Alto Rio Negro. A execução ocorre em parceria com serviços de saúde e entidades indígenas da região, como o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Segundo a organização, o histórico de mais de 20 anos soma 58 expedições, 11 mil cirurgias ou mais, 80 mil atendimentos e 170 mil exames. Em 2004, quando a primeira expedição foi feita, o grupo contava com quatro médicos e levava aproximadamente 100 quilos de materiais.
A região de São Gabriel da Cachoeira também é tema de outras ações em curso no Alto Rio Negro, como a compra de alimentos indígenas para a merenda escolar por meio do PNAE, medida que o Politiza Amazonas já detalhou, e a implantação do campus da Ufam no município, cuja comissão foi nomeada em outubro, conforme matéria anterior do portal.
Foto: Divulgação
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/11/01/expedicionarios-da-saude-voltam-a-iauarete-apos-22-anos-e-iniciam-projeto-de-atendimento-a-indigenas-no-am.ghtml; Politiza Amazonas — Regra do PNAE leva alimentos indígenas do Rio Negro à merenda em São Gabriel da Cachoeira; Politiza Amazonas — Ufam nomeia três servidores para comissão de implantação do campus em São Gabriel





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