A Costa Rica passou a contar, desde quarta-feira (14/10), com uma unidade prisional de segurança máxima voltada a detentos considerados de maior periculosidade. Batizado de Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), o complexo tem 5.100 vagas e custou 35 milhões de dólares. Ele foi erguido ao lado da penitenciária La Reforma, a aproximadamente 25 quilômetros de San José, e segue o modelo adotado pelo governo de El Salvador.
A presidente Laura Fernández sustenta que a estrutura amplia a reação do país à violência, em um cenário de recordes de assassinatos. Segundo ela, o efeito prático da prisão depende também de quantas condenações forem impostas pelo Judiciário. A chefe do Executivo costarriquenho tem agenda marcada em El Salvador para esta sexta-feira.
Contexto
O projeto costarriquenho se espelha no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), complexo salvadorenho criado para encarcerar membros de facções e que se tornou símbolo da ofensiva do presidente Nayib Bukele contra esses grupos. Fernández trata o líder salvadorenho como referência na área. Bukele reduziu os homicídios em El Salvador a patamares historicamente baixos, mas responde a acusações de abusos durante o regime de exceção decretado em 2022, que já resultou em mais de 91 mil encarceramentos.
Dados oficiais mostram que a violência letal cresceu na Costa Rica ao longo da última década, até o pico de 905 assassinatos em 2023. O total recuou para 876 no ano seguinte e para 873 em 2025, o que corresponde a 16,7 casos por 100 mil habitantes, patamar ainda superior ao de períodos anteriores. Conforme as autoridades, a maior parte dessas mortes decorre de disputas entre organizações criminosas pela rota da cocaína.
O que acontece agora
O Executivo costarriquenho acumula atritos com o sistema de Justiça em razão das políticas de segurança e de cortes no orçamento, enquanto magistrados e membros do Ministério Público apontam pressões sobre os freios e contrapesos entre os poderes. Outros países da região já sinalizaram interesse no receituário de Bukele, como Equador, Peru e Colômbia.
No Brasil, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) propõe classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), milícias e demais facções como organizações narcoterroristas. Ele também defende a construção de cinco presídios federais de segurança máxima nos moldes salvadorenhos e a abertura de 500 mil vagas no sistema prisional, em cooperação com os estados.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/costa-rica-inaugura-megaprisão-inspirada-em-modelo-de-bukele/a-79667128?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




