A Coreia do Norte informou ter realizado, na quarta-feira (15/10), testes com dois modelos de mísseis de cruzeiro disparados de submarinos na costa leste do país. Na véspera, a agência estatal KCNA noticiou que Kim Jong Un esteve em um novo museu de itens militares, onde foi exibido um míssil balístico intercontinental que, conforme Pyongyang, alcançaria alvos nos Estados Unidos.
Cinco dias antes, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, havia acompanhado o teste de lançamento do primeiro míssil hipersônico integralmente desenvolvido pela Coreia do Sul. De acordo com a DW, as duas Coreias disputam o domínio dessa tecnologia num cenário de tensões crescentes no Indo-Pacífico.
O que são armas hipersônicas
Armas hipersônicas alcançam no mínimo cinco vezes a velocidade do som (Mach 5), o equivalente a mais de 6.100 km/h. Essa rapidez reduz o tempo de reação das defesas, que precisam localizar, seguir e abater o projétil em aproximação — capaz de levar ogivas convencionais ou nucleares. A essas características soma-se a manobra em pleno voo: o míssil pode alterar de repente a rota, mergulhar ou ziguezaguear, o que complica ainda mais a interceptação.
Para Chris Green, assessor sênior para a península coreana do International Crisis Group, a disputa armamentista na região dura anos e as armas hipersônicas são seu capítulo mais recente. Ele observa que o Sul passou a tratar o tema como prioridade na medida em que o Norte expandiu capacidades e estreitou vínculos militares e econômicos com a Rússia.
Avaliação de especialistas
Green ressalva que não há como verificar se o arsenal norte-coreano entrega o que o governo anuncia, mas avalia que menosprezar Pyongyang seria um erro, lembrando episódios passados em que o país foi subestimado e depois demonstrou capacidade real.
Chun In-bum, general aposentado do Exército sul-coreano e pesquisador sênior do National Institute for Deterrence Studies, segue a mesma linha: segundo ele, um planejador militar prudente trabalha com o pior cenário diante da incerteza sobre as alegações norte-coreanas. Sobre a origem da tecnologia, afirmou que o país provavelmente a obteve por meios ilegais, com espionagem a empresas nos EUA, na Coreia do Sul e no Japão.
Green considera que sistemas viáveis dos dois lados podem se neutralizar como vantagem de campo. Ele acrescenta que, caso o Norte siga ampliando e implante em larga escala seus sistemas ofensivos, o debate sobre reforço das defesas antimísseis deve se estender ao Japão, além do Sul.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/armas-supersônicas-reacendem-a-corrida-armamentista-entre-as-coreias/a-79677227?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




