O Congresso Nacional eleito para 2027 terá a maior presença feminina já registrada. A Câmara passa de 91 para 109 deputadas, o que corresponde a 21% das cadeiras. No Senado, são 12 mulheres, cinco a mais do que em 2018 — último pleito em que dois terços da Casa foram renovados —, o equivalente a 22% dos assentos, conforme a DW Brasil.
O avanço numérico não se traduz em bloco uniforme. Nas duas Casas, a direita elegeu mais mulheres do que a esquerda. No Senado, metade das eleitas neste pleito vem de PL, PSDB, Republicanos e União Brasil, campos de direita e centro-direita. Somadas a quatro senadoras desse espectro que já estavam na Casa, elas formam dez das 18 mulheres do Senado em 2027.
Composição por espectro político
No Senado, PT, PDT e Rede, de esquerda e centro-esquerda, ficaram com quatro cadeiras; MDB e Podemos, de centro, com duas. Na Câmara, a divisão é mais próxima: 47 deputadas de esquerda e 50 de direita, segundo a DW.
Esse resultado acompanha um movimento do PL, que desde 2024 passou a apostar em candidaturas femininas. Conforme a antropóloga Jacqueline Moraes Teixeira, da USP, o PL Mulher, comandado por Michelle Bolsonaro, adotou dinâmica parecida com a das células de igrejas evangélicas. O quadro de filiadas cresceu: eram 350 mil em 2020 e chegou a 413,2 mil neste ano, avanço de aproximadamente 18%.
Michelle Bolsonaro (PL-DF) conquistou uma vaga no Senado com 29% dos votos válidos em sua primeira eleição. Sua plataforma priorizou pessoas com deficiência, incluindo autismo e doenças raras. Ela integrará a única bancada estadual do Senado composta só por mulheres, já que o Distrito Federal tinha Damares Alves (Republicanos) e agora contará também com Bia Kicis (PL).
Perfis e pautas divergentes
Kicis, então deputada federal, foi eleita senadora com 886,6 mil votos. Na Câmara, posicionou-se contra pautas femininas, entre elas o projeto que criminaliza a misoginia, e sustentou que criar crimes de opinião dividiria a sociedade. Para o novo mandato, disse que priorizará a proposta de anistia aos condenados por 8 de janeiro e temas de saúde.
Caroline de Toni (PL-SC) chegou ao Senado com 2,6 milhões de votos (33,46% dos válidos). Como deputada, apoiou a educação domiciliar e a proibição do aborto até nos casos previstos em lei, votou contra o projeto de igualdade salarial entre homens e mulheres e, na campanha, defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Do lado da esquerda, Erika Hilton (PSOL-SP) liderou a votação para a Câmara no país, somando 1,5 milhão de votos. No Senado, Luizianne Lins (Rede-CE) teve 2,8 milhões, um terço dos válidos, e Marília Campos (PT-MG) alcançou a maior votação absoluta: 3,9 milhões, ou 19,4% dos válidos. Hilton é autora da proposta de fim da escala 6×1; Luizianne assina projetos para tornar hediondo o assassinato de pessoas LGBT; Marília, ex-prefeita de Contagem (MG), originou a lei de registro virtual de denúncias de violência doméstica e defende prioridade para a PEC da Segurança Pública.
A socióloga Camila Gatti, da UnB, vê paradoxo no fato de o campo conservador ter elegido mais mulheres do que o progressista. Para ela, a extrema direita atrai o eleitorado com temas como a criminalização do aborto e a chamada ideologia de gênero. Teixeira pondera que as candidaturas femininas de direita são heterogêneas e que parte delas abraça agendas históricas do feminismo e políticas do cuidado.
As diferenças ideológicas podem dificultar a atuação conjunta da bancada feminina, que costuma votar em bloco em temas de interesse das mulheres, como absorventes gratuitos e enfrentamento à violência doméstica. O material recebido não detalha como será a coordenação entre as eleitas nem eventuais acordos para instalar a bancada.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/quem-são-as-mulheres-que-atuarão-no-congresso-no-ano-que-vem/a-79830444?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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