Cemitério indígena urbano em Manaus e sítios em Itacoatiara e Tefé: o que difere

Espaço no Tarumã tem 1.080 gavetas e oca ritualística; sítios pré-coloniais em Itacoatiara e Tefé guardam urnas funerárias preservadas.

Espaço no Tarumã tem 1.080 gavetas e oca ritualística; sítios pré-coloniais em Itacoatiara e Tefé guardam urnas funerárias preservadas.
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Manaus abriga o cemitério indígena Yane Ambiratá Rendáwa Bara Upé, conhecido como “Casa de Retorno”, no bairro Tarumã, Zona Oeste da capital. Inaugurado em 19 de abril de 2022, o espaço fica dentro da área do Cemitério Nossa Senhora Aparecida e, segundo a Prefeitura de Manaus, é considerado o primeiro cemitério indígena urbano do Brasil.

O local foi criado para atender indígenas que vivem em Manaus e nos arredores, oferecendo sepultamento e cerimônias de despedida que respeitem os costumes de diferentes povos. A estrutura é vertical, com cinco módulos de 216 gavetas cada, totalizando 1.080 espaços, além de uma oca ritualística usada para velórios, danças e outras cerimônias.

Diferenças entre os três espaços

Diferentemente do cemitério urbano de Manaus, o Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, é um sítio arqueológico pré-colonial. O levantamento feito no local apontou quatro pontos com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos arqueológicos, entre eles cerâmicas trabalhadas que ajudam a estudar modos de vida e práticas culturais dos povos que ocuparam o território.

O estudo no Jauari começou após uma obra particular dentro do sítio: o dono de uma área iniciou a construção de um muro. Ele foi notificado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que exigiu a realização de pesquisa arqueológica antes de novas intervenções. As urnas funerárias permanecerão enterradas e intactas no local, respeitando o contexto arqueológico e funerário em que foram encontradas.

Já o Cemitério Arqueológico de Tauary, na comunidade de Tauary, região do Médio Solimões, próxima ao município de Tefé, tem nove urnas funerárias com aproximadamente 500 anos, encontradas em uma área de cerca de quatro metros quadrados perto da escola comunitária. Os recipientes foram achados enterrados, com vestígios ósseos de adultos e crianças em seu interior.

Conforme o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, as peças foram associadas à Tradição Polícroma da Amazônia, com pinturas geométricas, rostos humanos modelados e elementos ligados a animais. Os pesquisadores observaram que as urnas tinham diferentes orientações, com os rostos voltados para posições distintas, e nenhuma estava posicionada diretamente de frente para outra, o que sugere escolha intencional relacionada às práticas funerárias do grupo.

O que acontece agora

Após as escavações em Tauary, as urnas passaram por estudos na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém. Em maio de 2025, sete delas retornaram a Tefé, após seis anos de análises realizadas pela universidade, segundo o Instituto Mamirauá.

Os três espaços têm finalidades e histórias distintas: o cemitério de Manaus recebe sepultamentos e cerimônias; o Jauari e o Tauary preservam vestígios de práticas funerárias de povos que habitaram a região há séculos. O material recebido não informa se há visitação pública aberta nesses sítios arqueológicos nem detalhes sobre acesso ou agendamento.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/cultura/cemiterios-indigenas-amazonia/

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