Um grupo de nomes ligados ao debate climático lançou uma carta aberta que pede a governos, empresas, instituições e cidadãos uma mobilização para garantir energia limpa e acessível “a todos, em todos os lugares, até 2030”. Entre os signatários estão o ambientalista Bill McKibben, a ex-secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU Christiana Figueres e a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá Catherine McKenna.
O texto foi divulgado em meio a um cenário de guerras, aquecimento global e desastres climáticos severos, como incêndios florestais na Europa e o derretimento acelerado de geleiras no Nepal, segundo a DW. A iniciativa defende a energia solar como solução limpa e acessível e diz que o objetivo é beneficiar tanto quem ainda não tem eletricidade confiável quanto bilhões de pessoas que seguem dependentes de combustíveis fósseis caros e poluentes.
O que os dados mostram
Segundo o centro de pesquisas energéticas Ember, 2025 teve o avanço mais rápido da geração solar em oito anos. O parque instalado cresceu 30% na comparação com o ano anterior e supera em mais de dez vezes o patamar de 2015. Ainda conforme a Ember, foi a primeira vez em cem anos que as renováveis ficaram à frente do carvão na matriz elétrica mundial.
McKenna afirmou à DW que a solar é hoje “a forma mais barata de eletricidade da história” e cresce em ritmo superior ao previsto. O físico alemão Eicke Weber, ex-diretor do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar, disse que baterias e módulos solares ficaram mais baratos e que as tecnologias e os recursos financeiros para a expansão já existem.
O mundo produz atualmente cerca de 3 terawatts (TW) em energia solar, e acrescenta aproximadamente 1 TW de nova capacidade fotovoltaica por ano, a maior parte na China, conforme a DW. Weber estima que um sistema global baseado em renováveis exigiria algo em torno de 50 TW.
Metas, prazos e limites
O acesso à eletricidade ainda falta a cerca de 655 milhões de habitantes do planeta. McKenna avalia que a eletrificação na África Subsaariana teria de avançar três vezes mais rápido para chegar a todos até 2030, e defende a solar como caminho mais curto, inclusive porque regiões sem infraestrutura podem saltar direto para tecnologias limpas.
Hans-Josef Fell, responsável por elaborar a Lei alemã de Energias Renováveis, diz que a transição depende sobretudo de vontade política e apoio social, fatores que considera insuficientes em muitas partes do mundo. O instituto Energy Watch Group, que ele preside, estima que um sistema energético global totalmente renovável teria entre 60% e 70% da oferta vinda da solar, com o restante principalmente de eólica, hidrelétricas e bioenergia.
Weber avalia que o mundo poderia chegar a 80% ou 90% de eletricidade renovável por volta de 2040. Fell reconhece o desafio, mas afirma que, mesmo com apenas 90% do objetivo cumprido, o resultado já seria extraordinário. McKenna defende ampliar o financiamento internacional com governos, bancos multilaterais e setor privado.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/a-corrida-para-levar-energia-solar-a-todo-o-planeta/a-79653640?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




