Aliados do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) saíram em defesa do resultado da eleição presidencial depois que o senador divulgou, dos Estados Unidos, uma carta em que contesta o pleito e fala em fraude sem apresentar provas. O documento veio a público no fim da tarde de quarta-feira (28), horas após ele chegar ao país com a mulher e as duas filhas, segundo a DW Brasil.
No texto, Flávio afirma que o segundo turno foi fraudado e liga a suposta fraude à prorrogação da votação por duas horas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A distância entre os dois candidatos no resultado final superou 4,4 milhões de votos, conforme a DW Brasil.
O que a carta omite
Conforme a DW Brasil, a carta não menciona dois pontos documentados. O pedido de ampliação do horário de votação partiu também da legenda do próprio senador, o PL. Além disso, segundo dados do TSE, pouco mais de 34 mil eleitores depositaram o voto após as 17h — número muito inferior à diferença entre os candidatos.
A distinção é relevante para o leitor: o pedido de prorrogação partiu também da legenda do candidato, e o contingente de votos registrados fora do horário original não tem dimensão compatível com a margem que definiu o resultado. O material recebido não informa outros detalhes sobre a decisão de Zanin além da prorrogação por duas horas.
Reações de aliados e do TSE
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ao Estadão que a eleição acabou e que é preciso respeitar o resultado das urnas. Um dia antes, em vídeo, ele já havia reconhecido a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem citá-lo nominalmente, e repetido que a eleição passou.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse ao Estadão que o presidente do Brasil é aquele que o TSE declarou eleito e defendeu que a oposição fiscalize o cumprimento das promessas. O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não é possível falar em fraude sem provas e classificou a carta como desabafo de alguém que se sente injustiçado.
Antes da divulgação da carta, o PL já havia reconhecido o resultado presidencial, segundo o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, que ressalvou a necessidade de esclarecer questionamentos. O candidato a vice na chapa, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), criticou a condução das eleições, mas reconheceu o resultado. A Federação União Progressista, o Republicanos, o Podemos e o MDB também reconheceram a vitória de Lula.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, declarou que o pleito ocorreu sem anormalidades e seguiu os preceitos legais e constitucionais. Ele destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado e afirmou que questionamentos apresentados dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos.
O contexto do pleito foi acompanhado pelo Politiza Amazonas, que mostrou como o vaivém na decisão sobre o horário de votação marcou a atuação de Nunes Marques no TSE e como a disputa presidencial mobilizou mais de 158 milhões de eleitores.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/aliados-de-flávio-defendem-resultado-das-eleições-após-senador-divulgar-carta-falando-em-fraude/a-79795142?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — Quatro episódios polêmicos de Nunes Marques no comando do TSE; Politiza Amazonas — Brasil vota neste domingo; veja o que está em jogo além da Presidência





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