Os governos da Alemanha e da França anunciaram nesta sexta-feira (16/10) um entendimento comum sobre o futuro do setor de veículos na Europa. O objetivo declarado é conciliar a redução de emissões com a diminuição de exigências burocráticas.
A iniciativa sugere afrouxar normas ambientais hoje em vigor no bloco, entre elas a previsão de banir carros movidos a combustão. O texto também menciona a participação do Reino Unido em um esquema de compras governamentais destinado a reforçar a produção local.
O que propõe o acordo
Em nota conjunta, os dois países afirmaram que a meta é modernizar a indústria automotiva sem abandonar os compromissos climáticos e assegurando que os veículos do futuro saiam de fábricas europeias. O documento fala em um conjunto amplo de medidas que alia descarbonização a regras adaptáveis às distintas condições de mercado e de tecnologia.
Conforme o comunicado, o pacote inclui estímulos para investimento, pesquisa e desenvolvimento, fabricação no continente e cadeias de fornecimento mais resistentes. As proposições são dirigidas sobretudo a quem formula as políticas da União Europeia.
O jornal alemão Handelsblatt noticiou na quinta-feira que o entendimento pode suavizar a vedação, antes prevista, a novos automóveis com motor a combustão no bloco. Segundo a publicação, Merz e Macron concordaram, em princípio, em cobrar das montadoras corte de 90% nas emissões médias a partir de 2035, dispensando a compensação dos 10% restantes.
Contexto e próximos passos
A indústria automotiva europeia emprega 13 milhões de pessoas e representa 7% do Produto Interno Bruto do bloco. Empresas do porte do grupo Volkswagen vêm acumulando anúncios de demissões em massa e de encerramento de unidades. O setor enfrenta ainda a concorrência de veículos elétricos e híbridos importados a preços baixos, muitos deles fabricados na China.
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, publicou em seu perfil no X que o dia é positivo para motoristas e trabalhadores da Alemanha, da França e da Europa, e classificou a medida como sinal de investimento. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que os dois países buscam modernizar o setor mantendo as metas climáticas e a produção no continente.
No fim do ano passado, a Comissão Europeia havia sugerido autorizar o emplacamento de veículos a combustão depois de 2035, alterando o calendário de retirada gradual antes acertado. A Alemanha apoiava essa mudança de rumo, enquanto a França se colocava contra qualquer abrandamento da proibição.
O pacto limita o conceito de fabricado na Europa, ideia originalmente apresentada pela Comissão Europeia, aos 27 membros da UE, com possibilidade de adesão de outros países, em especial Reino Unido e Noruega, mediante condições específicas. Para virar lei, o texto ainda depende do aval dos demais Estados-membros e do Parlamento Europeu.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/alemanha-e-frança-unem-forças-para-salvar-indústria-automotiva-europeia/a-79682822?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf




