Vazante muda paisagem de Manaus e estiagem já afeta 129,7 mil no AM

Defesa Civil aponta 47 municípios em emergência e 562 comunidades isoladas; governo distribuiu cestas e kits a 15 municípios até 27 de outubro.

Defesa Civil aponta 47 municípios em emergência e 562 comunidades isoladas; governo distribuiu cestas e kits a 15 municípios até 27 de outubro.
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A vazante dos rios transformou pontos de Manaus entre junho e novembro, com áreas antes submersas dando lugar a solo exposto, bancos de areia e acúmulo de lixo. Registros feitos pelo g1 em locais como a Marina do Davi, na Zona Oeste, o Mirante Lúcia Almeida, na área central, a Orla do São Raimundo e a Praia da Ponta Negra mostram a mudança da paisagem na transição entre cheia e seca.

Conforme o boletim da Defesa Civil estadual apresentado pelo Governo do Amazonas na terça-feira (3), o número de atingidos pela estiagem no estado supera 129,7 mil. O documento lista 47 municípios em situação de emergência e, segundo o decreto estadual, 562 comunidades estão isoladas pela seca dos rios.

Rotina e abastecimento nas comunidades

Moradora da região da Marina do Davi, no bairro Tarumã, Maíra Oliveira relatou ao g1 que a vazante dificulta o deslocamento de quem vive e trabalha nas comunidades próximas, porque os flutuantes ficam apoiados no solo. Ela também afirmou que moradores que usam poços podem ficar desabastecidos à medida que a estiagem avança.

Maíra apontou ainda o acúmulo de lixo nas margens e igarapés, carregado pela enxurrada durante as chuvas, mas avaliou que o volume deixado pela vazante deste ano foi menor que o do ano passado. Segundo ela, a comunidade realiza trabalho de limpeza dos resíduos ao redor. A moradora cobrou mais atenção do poder público para infraestrutura, incluindo novas pontes de acesso às comunidades e melhorias no abastecimento de água.

Assistência e emergência em saúde

Até 27 de outubro, o Governo do Amazonas realizou ações de assistência em 15 municípios. Foram entregues 4,8 mil cestas básicas, cerca de 96 toneladas de alimentos, 3,4 mil kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios com capacidade para 5 mil litros cada e 18 purificadores de água.

Em 26 de outubro, o Executivo estadual publicou no Diário Oficial um decreto de emergência sanitária válido por 180 dias, motivado pela estiagem severa. O texto citou o isolamento de comunidades, os entraves ao transporte de insumos de saúde e as falhas no atendimento à população. O decreto menciona ainda levantamento preliminar da Defesa Civil que apontou 562 comunidades isoladas, o que pode dificultar o deslocamento de pacientes e o envio de remédios e oxigênio medicinal.

A lista de municípios em emergência inclui Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucuritiba.

A distinção entre os números divulgados ajuda a dimensionar a seca: as 129,7 mil pessoas afetadas e os 47 municípios em emergência constam do boletim da Defesa Civil, enquanto as 562 comunidades isoladas aparecem no levantamento preliminar citado pelo decreto de emergência em saúde. Já a assistência com cestas e kits alcançou 15 municípios até 27 de outubro, universo menor que o total de cidades em emergência.

Foto: José Lima/Rede Amazônica

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/11/07/em-cinco-meses-paisagem-de-manaus-muda-com-processos-de-enchente-e-vazante-veja-antes-e-depois.ghtml

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