UNICEF reúne orientações para proteger crianças da fumaça no Amazonas

Com a pior qualidade do ar do país em outubro, UNICEF recomenda cuidados a crianças; Semsa registrou alta de 10,5% em atendimentos respiratórios.

Com a pior qualidade do ar do país em outubro, UNICEF recomenda cuidados a crianças; Semsa registrou alta de 10,5% em atendimentos respiratórios.
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou orientações para famílias e cuidadores sobre como reduzir a exposição de crianças e adolescentes à fumaça das queimadas no Amazonas. Segundo o texto, o estado registrou em outubro a pior qualidade do ar do país, medida pelo Índice de Qualidade do Ar (AQI).

A organização alerta que a fumaça, somada à estiagem, afeta a saúde, o acesso à água potável, a alimentação adequada e a continuidade da educação, com atenção especial a comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e periféricas. Em setembro, o Amazonas teve muitos incêndios florestais favorecidos por um período mais seco que o normal.

O que os dados mostram

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), os atendimentos por doenças respiratórias na rede municipal cresceram 10,5% entre agosto e setembro. O UNICEF afirma que a exposição à fumaça agrava quadros como asma, pneumonia e bronquiolite, sobretudo em crianças pequenas.

A escassez de água também entra no alerta: o consumo em condições inadequadas eleva o risco de doenças de transmissão hídrica, como diarreias e hepatite A, além de comprometer a higiene e ampliar o risco de desnutrição. Gregory Bulit, chefe do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Clima, Meio Ambiente e Desastres do UNICEF no Brasil, afirmou que não existe nível seguro de exposição à fumaça para crianças e que as queimadas precisam ser controladas para que elas possam voltar à escola e a atividades ao ar livre.

Recomendações e medidas já adotadas

O UNICEF recomenda que mães, pais e cuidadores adotem medidas para diminuir a exposição à fumaça, mantenham a hidratação e saibam identificar sinais que exijam atendimento de saúde. O material recebido não detalha item por item essa lista de cuidados.

A Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas presenciais da rede municipal de ensino por causa da fumaça. Segundo a prefeitura, o poluente que atinge a capital vem de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões leste e metropolitana, e também de outros estados. A interrupção afeta a aprendizagem e, para muitos estudantes, o acesso à refeição diária.

É importante distinguir o que é recomendação do UNICEF do que é medida em vigor: a suspensão das aulas presenciais é decisão da Prefeitura de Manaus, enquanto as orientações de hidratação, redução de exposição e busca por atendimento são recomendações da agência. O texto não informa prazo para retorno das aulas nem cronograma de novas medidas.

Segundo o UNICEF, a atuação recente inclui apoio a agentes comunitários e indígenas de saúde para reconhecer agravos em crianças, vigilância nutricional com ferramentas adaptadas e encaminhamento de casos de desnutrição aguda. O trabalho abrange ainda construção de cisternas, distribuição de filtros de cerâmica, bombas de água movidas a energia solar e equipamentos para aprofundar poços cacimba.

As ações são feitas com ADRA Brasil, Cáritas Suíça e Instituto Amazônia Açu, em coordenação com a SESAI, o Governo do Amazonas, prefeituras e organizações indígenas, com financiamento da União Europeia por meio do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO).

Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/saude/fumaca-am-unicef-orientacoes/

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