A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) passou a operar o Qualiar-Ufam, sistema que acompanha e projeta, de hora em hora, as condições do ar em Manaus e em Itacoatiara, Parintins, Humaitá, Coari e Benjamin Constant. O desenvolvimento é do Centro de Ciências do Ambiente (CCA) com a Prefeitura do Campus Universitário (PCU), conforme o Portal Amazônia.
As informações alimentam a Comissão de Qualidade do Ar da Ufam (CQAr/Ufam), criada pela Portaria nº 2721/2026. O colegiado usa esses dados para embasar orientações à Administração Superior quando a qualidade do ar piora ou em episódios de queimadas na estiagem. O MONITOR_BETA é outro sistema consultado pela comissão.
Como funciona o monitoramento
O presidente da comissão e diretor do CCA, professor André Mendonça, explicou que as leituras vêm de sensores de baixo custo acessados pela plataforma comercial PurpleAir, distribuídos em diferentes pontos. Cada equipamento faz medições em intervalos de poucos minutos, e o sistema aplica a correção do método da agência ambiental dos Estados Unidos (EPA), já que esse tipo de sensor tende a exagerar a poluição em ambientes muito úmidos, situação frequente na Amazônia.
Para representar cada cidade, o sistema adota a mediana dos sensores, e não o pior nem o melhor resultado, tendo um sensor de referência como base. A exibição segue as cinco faixas oficiais do Índice de Qualidade do Ar (IQAr) previstas na Resolução CONAMA nº 506/2024: Boa, Moderada, Ruim, Muito Ruim e Péssima.
Karenn Silveira Fernandes, do Departamento de Química e integrante da comissão, afirmou que o IQAr facilita a leitura imediata da situação atmosférica presente e futura. Na avaliação dela, o público não precisa dominar o conceito de material particulado, pois as cores e os nomes das classes já sinalizam o risco de exposição.
Boletins e limites da informação
A comissão divulga boletim quatro vezes ao dia, às 20h30, 2h30, 8h30 e 14h30, com a situação de cada cidade e a previsão do período seguinte. Se os critérios do colegiado apontarem necessidade de restringir ou suspender atividades, é emitida uma nota técnica com a recomendação. Os documentos ficam na página do sistema.
Os responsáveis pelo Qualiar-Ufam destacam que os sensores são adequados para acompanhamento contínuo, mas não substituem estações oficiais de referência. Segundo André Mendonça, em fumaça muito densa, acima de cerca de 500 µg/m³, as leituras ficam menos precisas, e a previsão também erra, sobretudo a intensidade dos picos mais fortes. Por isso, cada boletim mostra uma faixa de valores, e não um número único. Algumas cidades do interior têm apenas uma ou duas estações e começaram a ser acompanhadas há poucos dias.
Juliane Querino, meteorologista do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA), em Humaitá, defendeu que o monitoramento chegue a todos os campi da Ufam. Para ela, cada unidade precisa de equipamentos próprios, capazes de gerar informações locais e de integrá-las a uma rede da universidade, o que reforça tanto a pesquisa quanto a decisão em momentos de risco.
O Qualiar-Ufam também serve a uma pesquisa sobre como a fumaça se comporta na estiagem amazônica. A equipe quer descobrir de onde vem a fumaça que atinge cada município, avaliar o peso das condições meteorológicas e das características urbanas na permanência dos poluentes e aumentar o prazo de antecedência dos alertas. O plano é ter um modelo treinado com séries históricas de vários anos, pronto para a estiagem de 2027, e publicar os resultados em periódico científico.
Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/meio-ambiente/ufam-plataforma-condicoes-ar/





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