O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (3) que os repasses anuais a Israel, na casa de 4 bilhões de dólares, serão encerrados ao término de 2026. A fala foi dada em entrevista por telefone à Fox News. Ele acrescentou que a venda de armamentos ao aliado no Oriente Médio não será interrompida.
Conforme Trump, o assunto foi tratado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a interrupção ocorreria de forma escalonada. O anúncio coincidiu com o dia das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. O gabinete de Netanyahu não se manifestou de imediato, segundo a DW.
O que muda e o que continua
O ponto central do anúncio é a separação entre repasse e comércio: a transferência anual de recursos militares e econômicos acabaria, enquanto a compra de equipamentos militares americanos por Israel prosseguiria. Trump sustentou que o país é próspero o bastante para dispensar o valor e que a despesa pesa para os cofres americanos.
Grande parte desse apoio passa pelo Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), mecanismo que envia recursos a Israel vinculados à aquisição de armamentos fabricados nos EUA. O dinheiro, portanto, retorna à economia americana pela via da indústria de defesa — o que explica por que o fim do repasse não significa o fim das compras.
Trump mencionou ainda o peso político do tema, explorado por democratas como Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan, e por conservadores que passaram a contestar o apoio a Israel. Segundo ele, a esquerda usa o pagamento como símbolo de injustiça e isso o incomoda por ser um alvo fácil.
Antecedentes e obstáculos
O memorando assinado em 2016 pelo então presidente Barack Obama previu 38 bilhões de dólares em dez anos, ou 3,8 bilhões por ano, com desembolsos entre 2019 e 2028. O texto determinava que Israel perdesse aos poucos a opção de aplicar parte dos recursos em produtos militares feitos localmente, até que todo o montante fosse destinado à indústria bélica americana.
Netanyahu já sinalizara antes que queria reduzir a dependência israelense do apoio americano. Em janeiro, declarou à revista The Economist que a diminuição da assistência militar estava prevista para a década seguinte e que o processo já havia começado.
Há entraves para encerrar o apoio direto. Os Acordos de Camp David, firmados com o Egito, preveem cooperação em segurança tanto com israelenses quanto com egípcios. Além disso, uma queda nas encomendas israelenses de equipamentos militares americanos pode atingir empresas do setor.
Na oposição israelense, a reação foi medida. Yair Golan, uma das lideranças do grupo, classificou o fim do apoio militar como golpe severo à segurança do país diante de conflitos em várias frentes. Ele acrescentou que o custo de financiar a defesa passaria a recair integralmente sobre a população de Israel.
Um levantamento acadêmico divulgado no ano passado apontou que os governos de Joe Biden e de Donald Trump destinaram ao menos 21,7 bilhões de dólares em assistência militar a Israel depois do início da guerra em Gaza, em 2023. A divulgação ocorreu no segundo aniversário dos ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.
Já o projeto Costs of War, da Universidade Brown, calculou cerca de 10 bilhões de dólares adicionais em operações de segurança e assistência militar dos EUA no Oriente Médio nos dois anos anteriores.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/trump-anuncia-fim-de-ajuda-anual-de-us-4-bilhões-a-israel/a-79846151?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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