Moradores da comunidade São Francisco da Mangueira, em Juruá, no interior do Amazonas, têm transferido suas casas repetidas vezes por causa do avanço da erosão nas margens do rio, fenômeno conhecido como “terras caídas” e intensificado pela estiagem. A informação é da reportagem do g1 Amazonas.
Conforme a Defesa Civil, a seca atinge mais de 100 mil famílias no estado. Entre os 62 municípios amazonenses, 40 decretaram situação de emergência, 17 estão em alerta e cinco em atenção.
O que são as terras caídas
Pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) citados na reportagem descrevem o fenômeno como um processo de escavação causado pela correnteza, que desgasta os barrancos e pode levar ao deslocamento de grandes volumes de solo. O quadro se agrava quando o nível dos rios baixa, situação que também deixa bancos de areia à mostra e torna a navegação mais difícil.
Trechos do Rio Solimões que antes ficavam submersos agora aparecem descobertos, o que demanda cautela de quem trafega pela região. Na comunidade de Juruá, além das residências, uma pequena escola precisou ser erguida em outro ponto, mais afastado da margem.
Efeitos na rotina e na economia local
O secretário de Meio Ambiente de Juruá, Pedro Damasceno, disse que os próprios ribeirinhos participam da definição dos novos terrenos, por conhecerem o comportamento do rio e conseguirem apontar locais considerados mais seguros. De acordo com ele, os moradores costumam estabelecer uma distância que permita passar de seis a dez anos antes que a erosão alcance a área.
O afastamento da margem, porém, cria outras dificuldades. O fornecimento de água fica mais difícil e parte das famílias passou a usar bombas para abastecer as casas. A erosão também compromete a vegetação e derruba postes de energia, que os próprios moradores precisam levar para outros pontos da comunidade.
Na comunidade, a principal atividade econômica é o manejo de tambaqui e pirarucu, feito uma vez por ano. A temporada já deveria ter iniciado, mas os córregos que levam aos lagos estão mais secos do que o previsto. Sem água suficiente para chegar aos locais de pesca, os moradores aguardam a subida do nível dos rios para retomar a atividade.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/20/terras-caidas-ameacam-casas-e-obrigam-ribeirinhos-a-mudar-de-endereco-durante-estiagem-no-am.ghtml




