A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, depois de sua derrota na eleição presidencial, enfraqueceu sua posição como líder da oposição e abriu espaço para outras lideranças do campo bolsonarista, inclusive fora do clã, segundo análise publicada pela DW Brasil em 30 de outubro. A avaliação é de cientistas políticos ouvidos pela reportagem.
Segundo a DW, Flávio inicialmente se recusou a aceitar o resultado eleitoral e, dos Estados Unidos, autoproclamou-se presidente eleito. Depois, recuou e passou a se apresentar como “líder do Brasil” e da oposição em uma carta publicada em suas redes sociais. Para a cientista política Daniela Costanzo, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), essa postura após a derrota prejudica bastante sua posição no campo bolsonarista e o faz perder espaço.
O que distingue o clã do movimento
A reportagem reúne avaliações de três pesquisadores para separar dois processos que costumam ser tratados como um só: o enfraquecimento da família Bolsonaro e a continuidade do bolsonarismo como força eleitoral. Costanzo lembra que Flávio nunca teve o carisma do pai e que já não era um grande líder do movimento, embora tenha sido importante para o PL nas eleições municipais de 2024.
Já o cientista político Helio Cannone, do Observatório da Extrema Direita Latino-Americana (OEDLA), da Unicamp, afirma que houve enfraquecimento da família, mas que o bolsonarismo vai além dela. Com a chegada de Flávio aos Estados Unidos, os três principais nomes do clã estão fora da política no momento, conforme a DW.
Jair Bolsonaro está preso, após condenação por liderar uma trama golpista para impedir a posse de Lula, e Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Ainda assim, a reportagem registra que dois filhos do ex-presidente, Carlos e Jair Renan, foram eleitos neste ano por Santa Catarina, como senador e deputado federal, respectivamente, ambos pelo PL, e que Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal.
Para a cientista política Marina Basso Lacerda, que estuda o novo conservadorismo brasileiro, os maiores líderes do campo não manifestaram apoio à saída de Flávio. Segundo ela, houve menções à atuação do Judiciário e do Supremo Tribunal Federal, mas nenhum disse que Flávio era o líder do movimento, e não houve comoção no ambiente digital da direita.
A justificativa apresentada por Lacerda é que o PL, descrito por ela como partido de direita de massas com bancada recorde desde a redemocratização, tem muito a perder e não romperia com a democracia nem contestaria a legitimidade das eleições que elegeram seus quadros.
Quem pode ocupar o espaço
De acordo com a DW, Carlos, Jair Renan e Michelle não aparecem, por ora, como nomes capazes de comandar o bolsonarismo. A reportagem aponta que eles devem ser suplantados por figuras consideradas mais expressivas da extrema direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Costanzo avalia que o resultado eleitoral e a saída de Flávio podem levar a um consenso dentro do campo de que é melhor apostar em alguém que não seja da família na próxima eleição. Os especialistas ressaltam que ainda é cedo para medir de modo mais profundo os impactos da conduta de Flávio.
Cannone afirma que, se o bolsonarismo for considerado uma força política que atrai votos a partir de uma visão de mundo e de oposição às esquerdas, fica mais difícil prever o que acontecerá. Lacerda acrescenta que o segmento deve continuar vinculado ao ex-presidente, que teve papel de catalisador de um movimento que já existia, e que fatores como a crise econômica e o ambiente das plataformas digitais não desaparecem sem Bolsonaro ou sem um herdeiro por ele nomeado.
A DW relata ainda que o caso de Flávio causou divisão dentro do bolsonarismo: parte dos integrantes discordou da saída e da carta divulgada por ele, enquanto outros manifestaram apoio. A reportagem menciona que Flávio acumula investigações ao longo de mais de duas décadas de vida pública, sem detalhar os casos.
O material recebido não informa manifestação de Flávio sobre as avaliações dos especialistas; o espaço segue aberto.
Se você ou alguém próximo precisa de apoio emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e pelo site cvv.org.br.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/como-a-fuga-de-flávio-bolsonaro-pode-impactar-o-bolsonarismo/a-79809715?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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