Entre janeiro e agosto de 2026, os fabricantes brasileiros venderam 3,7% menos pneus de motocicleta para reposição do que no mesmo intervalo de 2025, enquanto os produtos importados desse segmento cresceram 26,2%. Os números são da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), que usou o ComexStat e ajustes metodológicos. Com isso, a fatia estrangeira no mercado de duas rodas subiu de 27% para 33%, ainda conforme a entidade.
A discussão interessa diretamente a Manaus, onde está o segmento de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Ali funciona a operação da Michelin, e a Etor Pneus, marca do Grupo Cairu, comunicou em julho de 2026 o começo da fabricação de composto de borracha.
O que os números alcançam
Os dados da Anip são nacionais e não autorizam atribuir perdas a fábricas específicas de Manaus. Além disso, o levantamento não trata só de motos: no grupo formado por pneus de passeio, comerciais leves e carga, a entrada de importados subiu 58,3% no período, e as vendas internas para reposição caíram 13,3%. No caso dos pneus de passeio, a China concentrou 81% das importações, mas a própria entidade alerta que esse percentual não vale automaticamente para as outras categorias.
Há também uma diferença industrial a observar. O anúncio da Etor em julho de 2026 se refere ao composto de borracha, etapa que não se confunde com a produção comercial regular e em larga escala de pneus prontos, conforme o material da fonte.
Pressão sobre custos e emprego
Conforme a reportagem, a concorrência age sobre preço, margem e escala. Uma fábrica com menos vendas pode encontrar mais dificuldade para ratear seus custos fixos pelo volume produzido; já cortar preços para segurar clientes pode reduzir o dinheiro disponível para modernização. A fonte apresenta esse mecanismo como possibilidade econômica, e não como situação comprovada em cada empresa de Manaus.
O texto também lembra que a indústria local depende dos rios para escoar a produção e receber insumos, o que encarece a logística em períodos de vazante forte. O PIM é descrito como o maior gerador de empregos formais da região, e a perda de espaço da cadeia de componentes para os importados é tratada como motivo de preocupação com a manutenção desses postos.
A disputa não se resume ao preço. Segundo a fonte, volume de fabricação, ganhos de produtividade, câmbio, frete e decisões comerciais também pesam no valor final. A Anip sustenta que há condições desleais, enquanto os importadores argumentam que sua presença traz concorrência, variedade e preços menores.
O histórico recente inclui o fechamento, no fim de 2025, da unidade da Michelin em Guarulhos, dedicada sobretudo a câmaras de ar para motos e bicicletas, além de pneus industriais e itens semiacabados. A empresa justificou a medida pela concorrência asiática e pela inviabilidade econômica, mas manteve a fábrica de Manaus em atividade.
Já em fevereiro de 2026, o governo arquivou sem análise de mérito a revisão do antidumping sobre pneus de bicicleta vindos da China, da Índia e do Vietnã, alegando problemas na confiabilidade dos dados da Michelin. A companhia rebateu e disse ter entregado as informações pedidas, conforme a reportagem.
Foto: Divulgação/Abraciclo
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/amazonia-negocios/noticia/2026/10/29/a-industria-de-manaus-na-disputa-pelo-proximo-pneu-da-sua-moto.ghtml





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