Operações federais destroem 43 estruturas de garimpo no AM e bloqueiam R$ 35 milhões

Ações no Rio Madeira e no Alto Solimões inutilizaram dragas e balsas entre setembro e outubro; Justiça Federal bloqueou bens de suspeitos de financiar garimpo.

Ações no Rio Madeira e no Alto Solimões inutilizaram dragas e balsas entre setembro e outubro; Justiça Federal bloqueou bens de suspeitos de financiar garimpo.
Compartilhe esta notícia

Órgãos federais inutilizaram 43 equipamentos ligados à extração clandestina de ouro no Amazonas ao longo de duas ofensivas concluídas no intervalo de setembro a outubro deste ano. Dragas, balsas e embarcações de apoio foram atingidas em ações que envolveram Ibama, Polícia Federal e Funai nos rios Madeira e Alto Solimões.

Paralelamente à retirada de maquinário, as apurações sobre quem banca e abastece o garimpo avançaram. Numa delas, a Justiça Federal mandou congelar patrimônio e quantias que ultrapassam R$ 35 milhões.

O que cada operação alcançou

A Operação Hidra Dourada, conduzida por PF e Ibama de 21 a 25 de setembro, percorreu o Rio Madeira no trecho que liga Autazes a Novo Aripuanã. O balanço aponta 22 dragas e cinco embarcações de apoio destruídas, além de 18 fiscalizações que geraram autos de infração, apreensões e termos de destruição.

Já a Operação Aurum, em 30 de outubro, levou PF, Funai e Ibama ao Alto Solimões, perto de Santa Rita do Weill, em Tabatinga, faixa de fronteira com Colômbia e Peru. O resultado foram oito dragas, sete motor-balsas e uma embarcação inutilizadas.

A Operação Navegação Paralela, deflagrada em outubro, investiga um grupo apontado como fornecedor de apoio logístico ao garimpo em rios amazônicos. Foi nesse procedimento que a Justiça Federal determinou o bloqueio superior a R$ 35 milhões, direcionado aos recursos financeiros ligados às atividades sob apuração.

Por que o bloqueio financeiro importa

Destruir dragas e barcos, por si só, não fecha o caminho para que os responsáveis comprem equipamento novo e retomem a extração. É por isso que, conforme a reportagem, atingir a base econômica do garimpo é tratado como eixo central: a decisão judicial busca alcançar o dinheiro que sustenta a atividade e tornar mais difícil a continuidade das frentes clandestinas.

O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, afirmou que o garimpo causa danos sérios às populações ribeirinhas, em especial às comunidades indígenas impedidas de se alimentar de peixe pela contaminação dos rios, oprimidas em suas culturas e expulsas de seus territórios. A atividade pode provocar assoreamento, alterações nos leitos, destruição de vegetação e contaminação por mercúrio.

O material também registra antecedentes. Em março de 2025, a Operação Xapiri, na região de Borba, no Rio Madeira, destruiu 23 dragas e embarcações e encontrou 25 pessoas submetidas a condições análogas à escravidão, entre elas dois menores, conforme informações oficiais sobre a ação. Ainda em 2025, a Operação Nidaid Isquim, iniciada em abril no Vale do Javari, inutilizou 16 dragas e maquinários no Rio Jandiatuba e em áreas próximas a territórios indígenas, segundo balanço inicial da Funai.

As ofensivas exigem deslocamentos fluviais longos, planejamento, inteligência e articulação entre instituições, em locais de acesso complicado e vizinhos a terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas. O material recebido não informa prazos para novas fases das operações nem detalha os investigados no bloqueio judicial.

Foto: Divulgação Ibama

Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/garimpo-ilegal-sofre-ofensiva-no-amazonas-43-estruturas-destruidas-e-r-35-milhoes-bloqueados/

Compartilhe esta notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *