Em 3 de novembro de 1864, o naufrágio do veleiro Ville de Boulogne na costa do Maranhão matou o poeta Gonçalves Dias e afundou boa parte dos registros que ele havia produzido sobre os povos indígenas do rio Negro, no Amazonas. O episódio é tema de publicação do Portal do Holanda desta terça-feira.
Conforme o relato, a embarcação retornava da Europa depois de 53 dias de travessia e levava o poeta como único passageiro. De madrugada, o navio encalhou num banco de areia e se rompeu. Gonçalves Dias teria ficado na cabine durante a evacuação e morrido por afogamento; o corpo jamais foi localizado.
O que a expedição registrou
Conhecido sobretudo como autor de “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias fez parte, entre 1859 e 1861, da Comissão Científica de Exploração do Império. Na passagem pelo rio Negro, anotou dados sobre idiomas indígenas usados nas margens e colecionou objetos etnográficos que mais tarde integrariam o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
Os cadernos, relatórios e anotações de campo da viagem estavam com o poeta no retorno ao Brasil quando o navio afundou. A suposição é que esse conjunto se perdeu no acidente. Sobraram apenas partes: itens remetidos anteriormente à capital do Império e citações feitas em correspondências e depoimentos de outros integrantes da comissão.
Por que o episódio ainda é lembrado
Para estudiosos da história da etnografia brasileira, a expedição representa uma das primeiras tentativas de grande porte de registrar de modo organizado os povos que ocupavam as margens do rio Negro antes do surgimento de boa parte dos municípios que hoje formam o Amazonas.
O caso também mostra um limite concreto do que se sabe hoje: sem os registros originais no Brasil, o conhecimento sobre a viagem depende do material remetido com antecedência e de menções feitas por outros membros da comissão. O texto de origem não detalha o conteúdo desses fragmentos nem relaciona quais peças etnográficas chegaram ao Museu Nacional.
O Portal do Holanda associa a perda ao incêndio que destruiu grande parte do acervo etnográfico do Museu Nacional em 2018, décadas após o naufrágio.
Foto: Daniel Magalhães/Pexels
Fontes: Portal do Holanda — https://www.portaldoholanda.com.br/curiosidades/naufragio-apagou-para-sempre-os-diarios-de-uma-das-primeiras-grandes-expedicoes-cientificas-ao-rio-negro





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