O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que o estado solicitou apoio da União para o combate a incêndios florestais, mas abriu mão de uma equipe de brigadistas antes que ela fosse enviada ao Amazonas. A declaração do ministério foi divulgada depois de o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmar que o pedido de ajuda federal havia sido recusado.
A divergência entre os dois governos apareceu na sexta-feira (9), em entrevista de Muniz ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica. Horas mais tarde, o ministério contestou a fala e disse que a União já atua no combate às queimadas no estado. No sábado (10), as primeiras aeronaves enviadas pelo governo federal chegaram a Manaus, e uma comitiva federal deve desembarcar na capital durante a noite para acompanhar as ações.
Como o Politiza Amazonas informou, o ministério anunciou o envio de seis aeronaves e 290 brigadistas para o enfrentamento ao fogo no Amazonas. O anúncio foi feito após a declaração do comandante dos bombeiros sobre a suposta negativa de apoio.
Pedido e recuo
Em nota, o MMA relatou que, em 23 de setembro, o estado pediu apoio por meio do Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), que é coordenado pelo Ibama. A partir da solicitação, o ministério mobilizou brigadistas do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).
Sete dias depois, em 30 de setembro, o governo estadual avisou que já não precisava do apoio dos brigadistas, alegando que a chuva ajudou a conter os focos de incêndio. Os servidores federais foram liberados antes mesmo de sair para o trabalho de campo. O MMA disse ainda que orientou o estado a pedir verba pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), como forma de reforçar a capacidade de reação aos incêndios, mas que até sábado (10) o pedido não havia sido formalizado.
O CBMAM entregou ao g1 dois ofícios sobre a busca por recursos para o combate ao fogo. Um deles foi mandado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 18 de setembro; o outro traz a resposta da pasta, assinada em 1º de outubro. No documento, o ministério informou que não poderia atender à solicitação naquele momento.
Conforme a resposta, a Secretaria Nacional de Segurança Pública não tinha equipamentos desse tipo para doar e apontou outros caminhos para obter verba federal. A solicitação, assinada por Muniz, listava quatro aeronaves para o combate ao fogo, um avião para transportar equipes e equipamentos e dinheiro para comprar ou alugar veículos.
Ações federais e fumaça em Manaus
Além de mobilizar equipes e aeronaves, o MMA afirmou que a União apoia o Amazonas com o projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões. Segundo a pasta, os pagamentos ocorreram em janeiro de 2025 e em março de 2026. Os recursos, ainda conforme o ministério, servem para reforçar a estrutura do Corpo de Bombeiros e para prevenir e combater incêndios florestais e queimadas sem autorização.
O ministério informou também que o Ibama apagou 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e segue combatendo 20 focos ativos, sem detalhar onde as operações estão concentradas. Desde setembro, foram registrados 4.508 focos de queimadas no estado.
No sábado (10), a fumaça voltou a cobrir Manaus pelo terceiro dia seguido. Às 6h, o sensor da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), na Zona Centro-Sul da capital, marcou 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas, mais de oito vezes o limite de 25 µg/m³ que o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), usa como referência de boa qualidade do ar.
Na área central de Manaus, a medição chegou a 164,1 µg/m³, e no Morro da Liberdade o índice foi de 157,2 µg/m³. O ar foi considerado péssimo nos três locais monitorados.
Segundo o g1, o governo do Amazonas não havia se posicionado até a publicação da reportagem sobre a dispensa dos brigadistas federais e a divergência com o ministério. O espaço segue aberto para manifestação.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/10/governo-do-am-pediu-ajuda-federal-contra-queimadas-mas-desistiu-diz-ministerio.ghtml; Politiza Amazonas — MMA envia 6 aeronaves e 290 brigadistas para combater incêndios no Amazonas




