As chamas de um incêndio de grande porte continuam ativas na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas, na região do Rio Urubu. Em 13 de outubro, o fogo avançava sobre a vegetação e já havia alcançado parte da Terra Indígena Paraná do Arauató, onde vive o povo Mura. A fumaça das queimadas chega a comunidades e a cidades da região.
Conforme o Fire Information for Resource Management System (FIRMS), da Nasa, o primeiro foco de calor no local foi detectado às margens do Rio Urubu, em 30 de agosto. Imagens de satélite indicam que mais de 3 mil hectares foram alcançados pelas chamas.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Itacoatiara informou que o incêndio começou de forma criminosa. Até 13 de outubro, nenhum suspeito havia sido identificado, e a apuração seguia em andamento.
O acesso difícil à área impede que brigadistas e bombeiros atuem diretamente sobre o foco principal, por terra. O combate tem o apoio de uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas, usada para lançar água sobre o trecho em chamas. O avião voltou a Itacoatiara em 12 de outubro e fez dezenas de sobrevoos. Ainda assim, pontos de calor permaneciam ativos em 13 de outubro.
Outros focos no município
Na região do Lago do Canaçari, as chamas consumiram vegetação em uma área de 1,3 mil hectares. O incêndio foi dado como controlado em 9 de outubro, depois de 20 dias de trabalho, mas novos pontos de calor reapareceram no local em 13 de outubro. A Semma apura a ocorrência como criminosa e informou ter identificado um suspeito de participação.
Em 7 de outubro, outro foco de calor foi localizado às margens da rodovia AM-010, perto do bairro Jacarezinho, na entrada de Itacoatiara. Segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o trecho atingido tinha 211,29 hectares, o que corresponde a aproximadamente 296 campos de futebol.
A fumaça piorou a qualidade do ar em Itacoatiara ao longo de vários dias. Na madrugada de 7 de outubro, a medição de partículas poluentes na cidade passou de 500 microgramas por metro cúbico (µg/m³), conforme dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Na escala do Selva, índices entre 0 e 25 microgramas por metro cúbico são classificados como bons. Acima desse patamar, a qualidade do ar passa por faixas que vão de moderada a péssima.
Foto: Liam Cavalcante
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/13/incendio-de-grandes-proporcoes-atinge-terra-indigena-mura-e-completa-mais-de-40-dias-no-am.ghtml




