Hungria publica arquivos de informantes da era comunista

Governo de Péter Magyar libera na internet nomes de informantes da polícia secreta húngara; historiadores divergem sobre o alcance da medida.

Governo de Péter Magyar libera na internet nomes de informantes da polícia secreta húngara; historiadores divergem sobre o alcance da medida.
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O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, determinou a liberação integral dos chamados “arquivos dos agentes” da polícia secreta do país, que reúnem nomes de quem colaborou com o serviço de segurança do Estado na era comunista. Conforme a DW, bancos de dados com a identificação desses informantes e seus dados básicos começaram a ser publicados na internet em 4 de novembro.

A promessa constava do programa de Magyar e de seu partido, o Tisza. A publicação acontece depois de mais de três décadas de discussões sobre o tratamento desses documentos e tende a reabrir o debate sobre culpa e responsabilidade no período comunista.

O que muda e o que ainda falta

A liberação não equivale a abrir todo o acervo de uma vez. Segundo a DW, a leva inicial alcança até 60 mil pessoas entre os aproximadamente 150 mil colaboradores registrados pela polícia secreta. Outros conjuntos documentais também serão tornados públicos, incluindo uma das maiores coleções sobre recrutados pela agência de segurança estatal húngara.

Regras de sigilo da antiga “lei dos agentes” foram afrouxadas, o que, de acordo com a DW, deve ampliar de forma relevante o acervo acessível nos próximos anos. O parlamento húngaro alterou essa legislação em meados de setembro, por iniciativa do Tisza, conforme publicação de Magyar no Facebook citada na reportagem.

Antecedentes e ressalvas

Húngaros podem consultar os próprios arquivos desde 1997, com permissões ampliadas em 2003, mas nunca tiveram acesso à identificação dos delatores. A lei de 1994 previa checagens para integrantes do governo, parlamentares e parte dos servidores públicos. A plataforma húngara Telex relata que o Fidesz, legenda de Viktor Orbán, impediu tentativas de abertura e se posicionou mais de 30 vezes contra iniciativas do gênero desde 2010.

O diretor do Arquivo Histórico da Segurança do Estado Húngaro (ABTL), Bendeguz Gergo Cseh, advertiu que o conteúdo desses registros não deve ser tomado como verdade absoluta, mencionando documentos incompletos, pouco confiáveis e arquivos destruídos. O historiador Janos M. Rainer considerou que a publicação faria mais sentido logo após a queda do regime e que, agora, tende a ter caráter sobretudo simbólico. Já Krisztian Ungvary afirmou à DW que a medida viabilizará novas pesquisas e debates na sociedade.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/hungria-abre-os-arquivos-secretos-da-era-comunista/a-79866924?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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