Levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) registrou 5.598 focos de calor na região metropolitana de Manaus e em municípios do entorno entre 4 e 14 de outubro, número 37 vezes maior que os 149 focos observados no mesmo intervalo de 2025. O total também supera os 4.385 pontos detectados no período equivalente de 2023, ano de seca extrema na Amazônia, segundo o instituto.
A análise usa dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), obtidos pelo sensor VIIRS do satélite Suomi NPP, e acompanha 19 municípios das regiões metropolitana e central do Amazonas. Entre 1º de janeiro e 14 de outubro, esses municípios somaram 15.674 focos, alta de 109,4% em relação à média histórica para o mesmo período. O número é inferior apenas ao de 2023 entre os anos analisados.
Capital e entorno em direções opostas
O aumento não ocorreu de forma uniforme. Em Manaus, o IPAM identificou 198 focos entre janeiro e 14 de outubro, queda de 3,8% em relação à média de 206 registros do mesmo período entre 2015 e 2025. A capital respondeu por 1,3% dos focos dos 19 municípios monitorados.
A concentração maior ficou no entorno. Autazes registrou 2.827 focos, alta de 138% sobre a média histórica; Maués teve 2.431 (+60%) e Itacoatiara, 1.639 (+124%). Os três municípios somaram 44% dos focos da região no período. Grande parte das ocorrências está na margem direita do rio Amazonas, segundo o levantamento.
Os dados também indicam onde o fogo se concentra. As Florestas Públicas Não Destinadas responderam por 39,4% dos focos entre janeiro e 14 de outubro, e outras terras públicas, por 22,6% (57% federais e 43% estaduais). Assentamentos somaram 15% e Terras Indígenas, 6,8%. Em propriedades privadas foram 5.155 focos, sendo 2.687 em pequenas, 450 em médias e 2.018 em grandes. Áreas de vegetação nativa concentraram 77% dos registros.
O que explica o salto
Para Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, o aumento coincide com o início dos impactos da seca provocada pelo El Niño, mas a seca não inicia o fogo. Segundo ela, são as pessoas que provocam as queimadas, e o clima seco favorece a propagação. A pesquisadora defende reduzir o uso do fogo nas próximas semanas e meses, quando o El Niño tende a ficar mais forte.
O pesquisador Newton Monteiro afirma que o crescimento reflete o comportamento sazonal esperado para a época, mas chama atenção para o tamanho e a velocidade do acúmulo. Conforme o IPAM, os registros começaram a subir em agosto, com maior concentração em setembro, e a curva de 2026 saltou para patamares próximos aos de 2023.
Rebecca Maranhão, também pesquisadora do IPAM, avalia que a concentração nas Florestas Públicas Não Destinadas sinaliza a vulnerabilidade desses territórios, sujeitos a pressões de grilagem, desmatamento ilegal e uso do fogo. Ela defende avançar na destinação dessas áreas para conservação e uso sustentável, com fiscalização e manejo integrado do fogo.
O levantamento acompanha Manaus e outros 18 municípios: Autazes, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, São Sebastião do Uatumã, Silves, Urucará e Urucurituba.
Foto: Newton Monteiro/IPAM
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/meio-ambiente/focos-de-calor-manaus-outubro-26/





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