A FDA, agência reguladora sanitária dos Estados Unidos, deu aval em 2 de novembro a uma versão genérica do lenacapavir, remédio injetável contra o HIV aplicado a cada seis meses. O anúncio partiu da farmacêutica indiana Dr. Reddy’s Laboratories e da iniciativa global de saúde Unitaid.
Conforme a DW Brasil, o aval tem caráter temporário: não libera a venda nos Estados Unidos, porém abre a possibilidade de envio a nações em desenvolvimento dentro de programas humanitários.
Por que o Brasil não está na lista
O genérico será ofertado a 40 dólares por pessoa ao ano (cerca de R$ 217) em 120 países de baixa e média renda. O compromisso foi fechado em setembro de 2025 pela Unitaid com o instituto africano de pesquisa em saúde Wits RHI e a Clinton Health Access Initiative (CHAI). A lista de contemplados inclui Etiópia, Botsuana, Malawi, Moçambique, Namíbia, Ruanda, Zâmbia e Vietnã. Brasil, Peru e México ficaram de fora.
A ausência brasileira tem origem no licenciamento voluntário da Gilead Sciences, criadora do lenacapavir, que liberou seis laboratórios para fabricar cópias do remédio. O país participou dos testes, mas não entrou nesse acordo.
Nos Estados Unidos, o lenacapavir foi liberado em junho de 2025, depois de resultados que apontaram proteção acima de 99,9% em ensaios de grande porte. A Anvisa autorizou o uso preventivo contra o HIV-1 em janeiro, mas a incorporação ao SUS vinha travando.
Em julho, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou que a pasta buscava saídas diante do preço considerado inviável. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos fixou teto de R$ 20,9 mil por injeção ao consumidor.
O que acontece agora
Paralelamente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) conduz com a Gilead um projeto para trazer a versão genérica ao Brasil e a outros países latino-americanos com alta incidência de HIV. O anúncio ocorreu em setembro, e a iniciativa ainda passa por montagem, sem prazo divulgado nas fontes recebidas.
Carmen Perez-Casas, da Unitaid, disse à agência AFP que o desafio é converter a liberação regulatória em acesso concreto. Ela estimou em 1,2 milhão o número de pessoas infectadas pelo HIV no ano anterior, apesar da existência de um medicamento com proteção próxima de 100% em duas aplicações anuais.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam 41 milhões de pessoas vivendo com HIV em todo o planeta em 2025, com 570 mil óbitos ligados ao vírus naquele ano.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/eua-aprovam-genérico-de-lenacapavir-para-prevenção-do-hiv/a-79833988?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





Deixe um comentário