As 14 ecobarreiras instaladas nos igarapés de Manaus retêm, em média, 300 toneladas de resíduos por mês, segundo dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) citados pelo Portal Amazônia. A retirada do material é feita diariamente por equipes da Prefeitura, que separam os resíduos conforme suas características — garrafas PET, por exemplo, seguem para a Semulsp, onde podem ser reaproveitadas na fabricação de vassouras.
As estruturas funcionam como barreiras flutuantes que acompanham a variação do nível da água e concentram o lixo trazido pela correnteza, evitando que parte dele chegue ao rio Negro. O modelo foi desenvolvido pelo ativista ambiental Manoel Ademar Pinheiro Brito, conhecido como Mazinho da ecobarreira, a partir de referências de equipamentos usados no Japão para conter resíduos em cursos d’água urbanos.
O que a estrutura faz e o que não faz
Segundo o próprio idealizador, o equipamento age sobre o lixo que flutua, sem contaminar a água, porém não cumpre o papel de tratar o recurso hídrico nem basta, isolado, para reverter a poluição dos igarapés. Seu papel é barrar detritos e diminuir o volume que avança rumo ao rio Negro. A distinção importa: trata-se de uma barreira de contenção, não de um sistema de despoluição.
Documento da Prefeitura de Manaus sobre a 14ª ecobarreira, instalada em fevereiro no bairro Educandos, zona Sul, reforça esse limite: a estrutura não reduz o lixo gerado nos igarapés, mas intercepta o que é carregado pela correnteza. Na primeira limpeza, uma semana após a instalação, foram retiradas cerca de 40 toneladas de resíduos. O ponto escolhido recebe águas dos igarapés do 40, São Francisco e Mestre Chico.
O mesmo documento informa que, somente em janeiro, as ecobarreiras da capital retiveram 378 toneladas de resíduos. O volume mensal varia conforme a chuva e o descarte irregular, o que explica a diferença entre a média de 300 toneladas citada pela Semulsp e o total de um mês específico.
Outra frente de limpeza
Além das ecobarreiras, a Remada Ambiental retira resíduos manualmente dos cursos d’água. A iniciativa nasceu em 2016, quando o empreendedor Jadson Maciel e a irmã, Joice Maciel, passaram a organizar coletas com voluntários em pranchas de stand up paddle e caiaques na bacia do Tarumã-Açu. O igarapé do Gigante, afluente do sistema, se estende por aproximadamente sete quilômetros e tem nascente dentro do Aeroporto Internacional de Manaus; conforme Jadson, a água sai limpa da área aeroportuária e sofre os efeitos do descarte inadequado ao cruzar trechos urbanizados.
Quem organiza as ações alerta que jogar resíduos em locais impróprios tende a piorar enchentes e a favorecer problemas de saúde, sobretudo em comunidades ribeirinhas ou vizinhas aos igarapés. A Prefeitura também orienta a população a respeitar os horários de coleta, medida que, segundo a Semulsp, reduz o trabalho das equipes e a poluição dos igarapés.
Foto: Reprodução/Portal Amazônia
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/amazonas/reduzir-lixo-poluicao-hidricos/; www.manaus.am.gov.br — https://www.manaus.am.gov.br/noticia/meio-ambiente/14a-ecobarreira-manaus/; www.manaus.am.gov.br — https://www.manaus.am.gov.br/noticia/prevencao/ecobarreiras-aliadas-contencao-residuos-durante-periodo-chuva/




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