Coreias: por que a reunificação perde apoio e o que separa os dois países

Pesquisa em Seul mostra recorde de ceticismo, enquanto a Coreia do Norte retirou da Constituição a meta de unificação. Diferença de PIB chega a 58 vezes.

Pesquisa em Seul mostra recorde de ceticismo, enquanto a Coreia do Norte retirou da Constituição a meta de unificação. Diferença de PIB chega a 58 vezes.
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Trinta e cinco anos após a reunificação alemã, a união entre Coreia do Sul e Coreia do Norte aparece mais distante. Segundo a DW, o chanceler alemão Friedrich Merz reiterou em visita à Zona Desmilitarizada, na sexta-feira anterior à publicação, o desejo de unidade coreana, mas analistas ouvidos pelo veículo avaliam que nenhum dos dois lados hoje persegue esse objetivo.

Um estudo do Instituto de Estudos para a Paz e a Unificação da Universidade Nacional de Seul, divulgado em setembro, apontou que 39,1% dos sul-coreanos consideram a reunificação impossível — a maior proporção desde o início da série, há cerca de duas décadas. O professor Choo Jae-woo, da Universidade Kyung Hee, disse à DW que os mais jovens veem o Norte como um país vizinho pobre e ameaçador, sem vínculo sentimental.

O que mudou na Constituição norte-coreana

O ponto mais concreto da mudança está em Pyongyang. Segundo Choo, Kim Jong-un anunciou em dezembro de 2023 alterações constitucionais que abandonaram a possibilidade de reunificação pacífica, passando a tratar o Sul como rival hostil. A Constituição revisada foi aprovada em março de 2026, e o regime eliminou referências à reconciliação e à unidade nacional.

Do lado sul-coreano, a situação é diferente: a Constituição segue prevendo uma união pacífica baseada em liberdade e democracia, e o governo não abandonou oficialmente o objetivo. A diferença é que, conforme Choo, os governos recentes promovem essa ideia com muito menos frequência do que no passado. Ou seja, Seul mantém a meta no papel, mas sem a mesma ênfase política de décadas atrás.

O tamanho da distância econômica

Os números ajudam a medir o desafio. Segundo estatísticas de 2024 do Banco da Coreia, o PIB nominal norte-coreano foi de 31,7 bilhões de dólares, contra 1,85 trilhão de dólares do Sul — valor 58 vezes maior. Como a população norte-coreana equivale a cerca de metade da sul-coreana, o PIB per capita do Norte ficou em 1.230 dólares, ante quase 36 mil dólares no Sul.

O professor Mason Richey, da Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, observou à DW que a Alemanha Oriental de 1990 era substancialmente mais desenvolvida do que a Coreia do Norte é hoje, o que torna a reconstrução norte-coreana uma tarefa ainda mais pesada para Seul, mesmo com apoio externo.

Há ainda o fator geopolítico. A Coreia do Sul é aliada dos Estados Unidos, enquanto o Norte mantém laços com a China e, cada vez mais, com a Rússia. Para Choo, nenhuma dessas potências abriria mão de seus aliados em nome da reunificação, o que reforça o atual status quo como solução imperfeita, mas vista como a melhor forma de preservar a estabilidade regional.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/por-que-a-reunificação-das-coreias-parece-mais-distante-do-que-nunca/a-79840775?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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