Famílias da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Madeira, no Amazonas, têm no cacau uma fonte de renda cultivada junto à mata. Segundo o Fato Amazônico, os cacaueiros das comunidades crescem ao lado de andirobeiras, copaibeiras, seringueiras, mulateiro, sumauma, castanha e outras árvores nativas.
Para fortalecer essa produção, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) levou o projeto Prospera na Floresta às comunidades, com formações sobre manejo dos cultivos e reconhecimento do saber dos produtores. A definição dos temas partiu de visitas ao Médio e ao Baixo Rio Madeira.
Como foram definidas as capacitações
Adriana Gasparetti, coordenadora de projetos na FAS, conta que o levantamento produtivo nas duas faixas do rio apontou o que as comunidades precisavam. No diálogo com as famílias, a equipe ouviu dúvidas e obstáculos da produção, entre eles os impactos de cheias, estiagens e calor intenso.
Com base nesse diagnóstico, foram montadas cinco formações de oito horas cada, com expectativa de alcançar 80 produtores. A metodologia mesclou rodas de conversa, tarefas coletivas e atividades dentro dos próprios cacaueiros, buscando adequar o conteúdo aos recursos e ao modo de produzir de cada localidade.
Marciley Fernandes, que vive na comunidade Verdum, em Manicoré, disse ao Fato Amazônico que aproveitou os ensinamentos e já os aplica no trabalho. Já Adriana Gasparetti avalia que a adesão dos produtores veio do fato de os temas tratados fazerem parte da rotina das famílias.
O que o projeto abrange
As visitas de campo ocorreram em abril e maio de 2026, passando por dez comunidades de Manicoré e Novo Aripuanã: Novos Prazeres, Sempre Viva, Verdum, Kayapé, Santa Rosa I, Livramento, José João, Prainha, São Luiz e Bom Jesus. Em Santa Rosa I, há pés de cacau com mais de seis décadas, plantados junto a outras espécies; a colheita convive com o plantio de alimentos e com a coleta de sementes de andiroba destinadas à venda.
A FAS executa o Prospera na Floresta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. A proposta é ajudar a consolidar unidades de conservação do Amazonas incentivando cadeias produtivas da sociobioeconomia.
A iniciativa cobre 22 áreas protegidas administradas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O cronograma previsto é de quatro anos, em território superior a 20 milhões de hectares, com meta de 11.344 beneficiados diretos entre indígenas, ribeirinhos e quilombolas.
Foto: Reprodução/Fato Amazônico
Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/cultivo-de-cacau-une-geracao-de-renda-e-diversidade-da-floresta-no-rio-madeira/





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