Amazonas dobra focos de queimadas em 2026 e tem pior semana em quatro anos

Estado soma 8.430 focos pelo satélite de referência até 28 de outubro, contra 4.123 em 2025; sul do Amazonas concentra o fogo, com Apuí na liderança.

Estado soma 8.430 focos pelo satélite de referência até 28 de outubro, contra 4.123 em 2025; sul do Amazonas concentra o fogo, com Apuí na liderança.
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O Amazonas acumulou 8.430 focos de calor detectados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no período de 1º de janeiro a 28 de outubro. No mesmo intervalo de 2025, o Programa Queimadas havia contabilizado 4.123 — o que representa crescimento de 104%, conforme dados divulgados pelo Portal do Holanda.

Já na semana de 21 a 27 de outubro, a média diária nos nove estados da Amazônia Legal chegou a 976 focos pelo satélite de referência. Trata-se do maior patamar para essa janela do calendário nos últimos quatro anos. Em 2025, a mesma semana teve 394 focos por dia, alta de 148%. Os números superam também 2024 (738) e 2023 (880).

Onde o fogo se concentra

A maior parte das detecções no estado está no sul do Amazonas. Considerando todos os satélites, Apuí lidera com 51.677 focos em 2026, o equivalente a 17% do total estadual. Na sequência aparecem Novo Aripuanã (31.490), Lábrea (26.608), Maués (18.752), Autazes (16.836) e Boca do Acre (12.455). Somados, os três primeiros respondem por 37% dos focos do Amazonas.

A distribuição é ampla: nenhum dos 62 municípios amazonenses ficou sem ao menos uma detecção de calor ao longo de 2026. Setembro foi o mês de maior peso, com 3.726 focos de referência, diante de 942 no mesmo mês de 2025. Em outubro, até o dia 28, foram 2.173, contra 841 no ano anterior — variação de 158%.

Como ler os números

O INPE opera 32 satélites, mas as comparações entre anos usam apenas o AQUA_M-T, em órbita desde 2002, que preserva método de detecção e horário de passagem. Os percentuais acima vêm desse equipamento. Já a soma de todos os satélites chegou a 298.401 focos no Amazonas em 2026, contra 133.495 em 2025, alta de 124%.

Esse total maior não indica vinte vezes mais incêndios. O GOES-19, satélite geoestacionário que cobre a mesma área em intervalos de dez minutos, registra o mesmo fogo repetidas vezes no mesmo dia. Além disso, um foco de calor corresponde a um ponto de cerca de 1 km² com temperatura elevada detectada pelo sensor — não equivale a incêndio nem a área queimada. Um único incêndio pode gerar dezenas de focos, e uma queimada pequena pode não gerar nenhum.

A leitura do acumulado também pede cautela. O ano de 2026 supera com folga 2025, e a semana atual é a pior da série recente, mas o total anual segue distante do pico de 2024. No Amazonas, os 8.430 focos de 2026 equivalem ao dobro de 2025 e a pouco mais de um terço dos 24.583 registrados em 2024. Na Amazônia Legal, 2026 soma 66.514 focos de referência até 28 de outubro, contra 51.412 em 2025 — mas 101.602 em 2023 e 170.392 em 2024.

Foto: Reprodução/Portal do Holanda

Fontes: Portal do Holanda — https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/queimadas-no-amazonas-mais-que-dobram-em-2026-e-semana-e-a-pior-em-quatro-anos

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