Vitória democrata nas midterms: o que muda na economia dos EUA com Trump

Democratas controlam Câmara e Senado, mas veto presidencial e impasse limitam mudanças em tarifas, IA e custo de vida.

Democratas controlam Câmara e Senado, mas veto presidencial e impasse limitam mudanças em tarifas, IA e custo de vida.
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As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, encerradas em 3 de novembro, deram aos democratas maiorias nas duas casas do Congresso, enquanto o presidente Donald Trump, cujo Partido Republicano perdeu essas maiorias, segue na Casa Branca por mais dois anos. A economia foi o tema central da disputa, com destaque para preço do petróleo, inteligência artificial e tarifas.

A reação inicial dos mercados foi moderada e com tendência negativa, segundo a DW Brasil: as bolsas globais caíram ligeiramente e o dólar seguiu o mesmo caminho. O quadro aponta para um impasse político em Washington, já que Trump afirmou que se tornará o “Senhor Veto” para bloquear projetos aprovados pelo Legislativo.

O que os democratas podem e não podem mudar

Para o economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, Stephen Brown, a dimensão dos ganhos democratas não altera muito as perspectivas de políticas públicas no curto prazo, porque o partido não tem maioria capaz de superar uma obstrução parlamentar no Senado e o presidente tem poder de veto. O pesquisador Jacob Funk Kirkegaard, do Peterson Institute for International Economics, descreve dois anos de impasse completo.

A distinção central está entre o que o Congresso pode aprovar e o que depende da Presidência. Brown afirma que, se os democratas vencerem a Presidência em 2028, estarão em posição de promover mudanças importantes, incluindo possíveis aumentos de impostos para empresas e pessoas de alta renda e regulamentações que poderiam atrasar a implementação da IA. Ou seja, parte dos efeitos apontados por analistas é condicionada a uma vitória eleitoral futura, não ao resultado de 3 de novembro.

Tarifas, IA e custo de vida

Pesquisa do Pew Research Center realizada no início de outubro indica que 56% dos americanos afirmam que as políticas tarifárias de Trump terão impactos predominantemente negativos para o país, enquanto 20% veem impactos predominantemente positivos. Esse sentimento contribuiu para vitórias democratas, especialmente em estados dependentes de exportações, como Texas, Michigan, Iowa e Illinois, atingidos por tarifas retaliatórias, e em estados com alto volume de comércio com o Canadá.

Ainda assim, a DW Brasil observa que não está claro como os democratas poderiam impor mudanças substanciais à principal política econômica do presidente. A Constituição dos EUA atribui ao Congresso o poder de arrecadar e organizar tarifas, mas leis aprovadas ao longo dos anos concederam aos presidentes autoridade para implementá-las sob alegações de segurança nacional ou emergência econômica.

Trump já usou esses instrumentos e pode continuar a fazê-lo, apesar de contestações judiciais. O Congresso não pode necessariamente forçar o fim das tarifas existentes, mas pode adotar novas medidas legais contra elas para evitar uma escalada maior.

No campo da IA, investidores demonstram preocupação com a possibilidade de os democratas imporem regulamentações, sobretudo se também conquistarem a Casa Branca em 2028. A oposição de amplas maiorias da população aos centros de processamento de dados, principal infraestrutura da IA, ajudou a eleger muitos candidatos democratas. Kirkegaard avalia que, mesmo sem regulamentação imposta, a resistência local dificultará a construção desses centros, o que poderia afetar as avaliações de mercado das grandes empresas de tecnologia.

Sobre o custo de vida, Kirkegaard afirma que é preciso chegar a um acordo com o Irã e reduzir os preços da gasolina, questão que considera politicamente mais importante neste momento. O analista George Saravelos, do Deutsche Bank FX Research, escreveu em relatório que os mercados estão começando a se tornar mais otimistas nesse aspecto, com a recuperação substancial dos fluxos de petróleo pelo Oriente Médio.

Após as derrotas, Trump afirmou que iria “trabalhar com” os democratas. Ao Financial Times, antes da votação, disse que era improvável uma ampliação da guerra no Irã. A DW Brasil também relata que a percepção de corrupção no governo Trump foi considerada questão vital por eleitores, o que aumenta a possibilidade de o novo Congresso lançar investigações e, possivelmente, promover outro processo de impeachment, cenário que poderia forçar o presidente a negociar em temas econômicos.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/o-que-a-vitória-democrata-significa-para-a-economia-dos-eua-sob-trump/a-79857491?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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