Residentes do Mauazinho, bairro da zona leste de Manaus, fizeram um protesto na quarta-feira, 14 de outubro, para pressionar por obras de contenção em uma cratera que avança sobre casas e pontos comerciais. Conforme os participantes do ato, a situação se prolonga por cerca de cinco anos e dezenas de famílias vivem sob ameaça de perder suas moradias em razão da erosão.
No protesto, os moradores caminharam pela área atingida e cobraram ações da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas e do Governo Federal. Eles afirmam que a temporada de chuvas fortes está próxima e receiam que novos deslizamentos derrubem mais imóveis.
Relatos de moradores
Um morador conhecido como Maranhão, que vive na região há mais de 41 anos, disse que sua casa e seu comércio estão em risco e que teme ficar sem destino. “Eu peço socorro”, desabafou.
De acordo com ele, a comunidade espera uma solução há anos, mas as obras não saíram do papel, e ele questionou para onde foram os recursos anunciados para a intervenção. O morador também pediu que as autoridades vão ao bairro verificar de perto a situação. “Mais de 50 casas já caíram nos buracos”, afirmou.
Ainda segundo os relatos colhidos durante a manifestação, a região próxima à cratera tem rachaduras e outros sinais de instabilidade. Os moradores contam que tudo começou há cerca de cinco anos, depois que um trecho da rua afundou, destruindo imóveis e levando várias famílias a deixar o local.
Maranhão relatou que o comércio que mantinha ali era sua principal fonte de renda e que os antigos ocupantes abandonaram o espaço diante do risco de desabamento. Os manifestantes dizem que mais de 200 famílias moram na área atingida ou em seu entorno e pedem intervenção imediata para impedir que a erosão chegue a outras casas e à via principal do bairro.
Segundo os participantes, a comunidade tem uma única entrada principal, e há receio de que o avanço da cratera comprometa esse acesso, isolando quem continua na área.
Reivindicações e auxílio-aluguel
O valor do auxílio-aluguel pago às famílias atingidas também foi criticado. Conforme os relatos apresentados no protesto, o benefício é de R$ 600, quantia que os moradores dizem ser pequena demais para pagar uma moradia adequada. Eles afirmam ainda que há famílias sem receber o auxílio há dois ou três meses.
O problema é maior, segundo os manifestantes, para quem precisa abrigar muitos parentes em uma mesma casa alugada. Eles querem explicações sobre os pagamentos e defendem que as famílias recebam um apoio que corresponda ao que necessitam enquanto não há uma solução definitiva.
Durante o ato, um integrante do conselho fiscal da Associação dos Moradores Amigos do Mauazinho disse que há uma emenda parlamentar voltada às obras do local. Segundo ele, o dinheiro já estaria liberado e a empresa escolhida para o serviço seria a ETAM, mas o início dos trabalhos dependeria de uma licença ambiental.
O representante criticou a demora diante da existência, conforme sua fala, de verba e de empresa contratada. A associação pediu ainda esclarecimentos sobre o papel dos governos federal, estadual e municipal no projeto e sobre medidas emergenciais de proteção às famílias que seguem perto da cratera.
Com cartazes, os moradores pediram que representantes políticos visitem a comunidade e acompanhem as condições das famílias. A cobrança central é que as obras de contenção comecem logo ou que as famílias sejam retiradas com segurança das áreas sob ameaça.
Os manifestantes afirmam que a espera pode aumentar os prejuízos e expor vidas, e pedem que os órgãos responsáveis expliquem o uso do dinheiro, a pendência de licença citada pela associação e as etapas previstas para os serviços. O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas, do Governo Federal e dos demais órgãos citados.
Foto: Reprodução/Imediato Online
Fontes: Imediato Online — https://imediato.ncnews.com.br/2026/10/14/estamos-ha-cinco-anos-pedindo-socorro-moradores-protestam-contra-o-risco-de-desabamento-de-casas/



