A BioLinker, empresa brasileira de biotecnologia, foi escolhida para montar em Manaus um laboratório automatizado de síntese enzimática de DNA no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). A seleção saiu do Edital CBA Open nº 1/2026, que também escolheu a Amazonzyme Biotecnologia para o Espaço CBA de Inovação.
O anúncio oficial confirma a intenção de instalar a unidade, mas o projeto segue em estruturação. Os efeitos na economia, na ciência e na região só poderão ser avaliados depois que o laboratório entrar em operação.
O que o laboratório pretende fazer
O trabalho da BioLinker envolve DNA sintético, proteínas recombinantes e uso de inteligência artificial na bioengenharia. O DNA sintético é uma espécie de receita criada em laboratório: a partir de sequências definidas, os cientistas conseguem montar sistemas que produzem proteínas, enzimas e outros insumos, com uso em setores como saúde, diagnóstico, agricultura, alimentos, cosméticos e processos industriais.
A unidade prevista para Manaus deve usar automação para realizar muitos experimentos. Conhecida como triagem de alto rendimento, a técnica avalia diferentes sequências e condições ao mesmo tempo, com mais padronização e em menos tempo. Os dados obtidos nesses testes podem servir de base para modelos de inteligência artificial, capazes de reconhecer padrões e apontar as combinações mais promissoras. Segundo a fonte, a ferramenta não dispensa a validação científica, mas tende a reduzir tentativas e a acelerar o desenvolvimento de soluções.
Mona Oliveira, fundadora e diretora-presidente da BioLinker, afirmou que a estrutura vai trabalhar sobretudo com informações genéticas vindas de bactérias e de vírus que infectam bactérias, os bacteriófagos. A proposta é sintetizar sequências e usá-las como ferramentas para a produção de proteínas. A empresa também quer ampliar a capacidade nacional de fabricação de blocos de DNA.
Financiamento e Zona Franca
O projeto anunciado soma R$ 8,4 milhões em captação. Conforme dados divulgados pela companhia, o fundo da Axcell — aceleradora que apoia negócios ligados à Amazônia — respondeu por R$ 7,2 milhões, e R$ 1,2 milhão veio da Fase 2 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os dois aportes não são equivalentes. O dinheiro da Axcell é investimento na startup, enquanto o PIPE banca pesquisa científica ou tecnológica feita por pequenas empresas paulistas. Assim, não se pode garantir que todo o valor será aplicado na unidade de Manaus.
A captação também aproxima o projeto do modelo de investimentos em PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação) ligado à Zona Franca de Manaus. Empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação que recebem incentivos da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, têm de destinar investimentos em PD&I à Amazônia Ocidental ou ao Amapá.
A aplicação em programas prioritários do Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (Capda) está entre as modalidades aceitas. Um deles é o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).
Criada em 2018 por pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP), a BioLinker fica em Cotia, cidade da Grande São Paulo.
A instalação no CBA não faz com que o Centro passe a ser dono de patentes, bancos de dados, programas, processos ou tecnologias criadas pela BioLinker. Quem detém a propriedade intelectual depende de quem é autor, de quem investiu, das responsabilidades assumidas e do que for acertado em cada projeto.
Foto: Suframa
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/amazonia-negocios/noticia/2026/10/08/laboratorio-de-dna-amplia-desafio-de-transformar-ciencia-em-negocios-no-amazonas.ghtml



