O Rio Negro marcou 16,48 metros nesta quinta-feira (5), segundo registros do Porto de Manaus, permanecendo abaixo da referência de 17,70 metros usada para analisar a chamada “taxa da seca” em 2026. A vazante pressiona o transporte de cargas e preocupa comerciantes de Manaus com a possibilidade de repasse aos preços.
A cobrança extraordinária, conhecida internacionalmente como Low Water Surcharge (LWS), é usada por empresas de navegação para compensar custos com restrições de navegação. Neste ano, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) passou a exigir justificativas técnicas e econômicas das transportadoras que quiserem aplicar o adicional.
O que muda na cobrança da taxa
Conforme a Antaq, a exigência busca impedir sobretaxas sem comprovação adequada dos custos adicionais. Cada pedido é examinado de forma separada pela agência, que tem autonomia para negar, interromper ou rever os valores cobrados. A regulamentação não veda a taxa de maneira ampla: o uso depende das condições de cada empresa e da análise regulatória.
Enquanto algumas transportadoras anunciam custos extraordinários, outras mantêm as condições comerciais. Em determinados contratos podem existir regras sobre compensações, créditos ou revisões de valores, mas essas condições não se aplicam automaticamente a todos os clientes. Diante disso, os empresários são orientados a examinar os contratos e a programar a chegada de novas mercadorias.
Impacto no comércio e na Black Friday
Entre os setores mais afetados estão empresas que trabalham com produtos importados, cujo transporte internacional exige planejamento antecipado e pode levar cerca de 90 dias até Manaus. O aumento do custo logístico pode reduzir margens de lucro e obrigar empresas a rever estratégias de compra e reposição.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, estimou que a estiagem pode provocar reajustes de 8% a 10% nos preços de determinados produtos. O percentual é uma projeção do setor comercial, não um aumento confirmado para todas as mercadorias.
A proximidade da Black Friday aumenta a preocupação de lojistas que dependem do transporte fluvial, período que costuma exigir estoques maiores. A principal apreensão é vender grandes volumes sem conseguir repor produtos rapidamente. Apesar das dificuldades, o setor não aponta risco imediato de desabastecimento generalizado em Manaus.
Os dados recentes mostram desaceleração da vazante: o Rio Negro permaneceu em 16,50 metros entre 1º e 3 de novembro, caiu para 16,49 metros na quarta-feira (4) e registrou 16,48 metros nesta quinta-feira (5), perda de dois centímetros nos primeiros cinco dias do mês. A variação indica redução no ritmo de descida, mas não confirma o encerramento definitivo da estiagem. O nível do rio pode ser consultado no monitoramento oficial do Porto de Manaus.
Como o Politiza Amazonas informou, parte das transportadoras fluviais já aplicava a taxa da seca quando o rio estava abaixo dos 17 metros, e havia casos em que o valor poderia ser devolvido depois ou convertido em créditos. A nova notícia traz o nível atualizado do rio e as regras da Antaq para 2026.
Foto: Reprodução/Portal CM7
Fontes: Portal CM7 — https://www.cm7brasil.com/noticias/polo-industrial-de-manaus/taxa-da-seca-encarece-transporte-de-cargas-e-preocupa-comerciantes-diante-do-risco-de-aumento-nos-precos-veja-video/





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