O Amazonas aparece no topo do ranking nacional quando o critério é a fatia da mancha urbana ocupada por favelas e comunidades urbanas: 22,4%, conforme levantamento do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (4). Na sequência vêm Pará (11,6%) e Amapá (10,9%).
Entre os municípios brasileiros, Manaus lidera em extensão: são 10,5 mil hectares de área urbanizada em favelas, espalhados por 235 comunidades, segundo a Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas.
O que o levantamento compara
A posição da capital amazonense no ranking depende do critério adotado. Em área absoluta, Manaus fica à frente de São Paulo, que registra 1.359 favelas — quase seis vezes mais comunidades —, mas ocupa 6 mil hectares, menos que os 10,5 mil hectares manauaras. O levantamento mede, portanto, extensão territorial, e não quantidade de favelas nem população residente.
No plano nacional, a mancha urbanizada em favelas cresceu de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025. Essas áreas estão presentes em 651 municípios, e 60,3% da extensão registrada em 2025 foi formada depois de 1985. O peso das favelas no total urbanizado do país subiu de 3,2% para 3,4% no período, com alta em 19 das 27 unidades da Federação.
A região Norte abriga 27,9% da área urbanizada em favelas do Brasil, apesar de responder por apenas 9,4% de toda a área urbanizada nacional, de acordo com o MapBiomas.
Vegetação e fogo
O estudo também mede a vegetação intraurbana por hectare urbanizado. Nas favelas do país, essa disponibilidade recuou cerca de 34% (de 0,060 para 0,040 hectare), enquanto nas demais áreas urbanas houve avanço de aproximadamente 10% (de 0,042 para 0,046 hectare). A relação entre favelas e resto da cidade se inverteu: em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação intraurbana; em 2025, passaram a ter 15% menos.
No Amazonas, o MapBiomas observou que, nos anos de El Niño (2015, 2016, 2023 e 2024), a média de 93% da área urbanizada estadual teve focos de fogo registrados num raio de até 10 quilômetros. Nos demais anos, essa média ficou em 80%. O material ressalva que se trata de associação, sem relação de causalidade comprovada, e que estar perto do fogo não significa estar exposto à fumaça.
O coordenador do tema Urbano no MapBiomas, Julio Cesar Pedrassoli, afirma que o mapa precisa contemplar as favelas. Segundo ele, a quantidade de verde por hectare urbanizado nessas áreas era maior que a do restante da cidade em 1985 e hoje é menor, porque a vegetação intraurbana encolheu cerca de um terço nelas e aumentou fora delas. Ele acrescenta que é nesses territórios que a suscetibilidade a eventos climáticos adversos cresce mais.
Sobre ilhas de calor, o levantamento aponta que setores censitários urbanos com cobertura vegetal de no máximo 10% registram intensidade média de 5 °C no verão. O MapBiomas esclarece que os dados tratam da temperatura da superfície, não da temperatura do ar.
Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/meio-ambiente/amazonas-area-urbanizada-favelas/





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