Rio Negro está 3,85 m abaixo de 2025: Manaus está pronta para outra seca severa?

Rio Negro marca 18,15 m em Manaus nesta terça (6) e segue em queda; SGB projeta até 12,31 m no pico. A pergunta é se o poder público aprendeu.

Barcos encalhados no leito exposto do Rio Negro durante a seca de 2026 em Manaus

O Rio Negro marcou 18,15 metros nesta terça-feira (6) no Porto de Manaus, com descida de 9 centímetros em 24 horas, segundo a tabela oficial do porto. No dia 2, a cota era de 18,59 m, 3,85 m abaixo dos 22,44 m registrados na mesma data de 2025, conforme levantamento do g1 com dados do porto. A queda de quase 4 metros em um ano também foi destacada pela Record/R7 na segunda-feira (5).

Os números da vazante

Em setembro, o rio saiu de 24,09 m no dia 1º para 18,88 m no dia 30, uma perda de 5,21 m em um mês, de acordo com a tabela do Porto de Manaus. Ainda assim, segundo o g1, a cota segue 6,48 m acima da registrada na mesma data de 2024, ano da maior seca desde o início das medições. O boletim diário da ANA de 2 de outubro registrou 18,55 m na estação de Manaus, 1,17 m acima da cota de referência para estiagem, de 17,38 m. As diferenças de centímetros entre porto e ANA refletem medições distintas.

O alerta de vazante do Serviço Geológico do Brasil (SGB), com dados divulgados em 1º de setembro, aponta cotas entre 12,31 m e 16,50 m para Manaus no pico da seca. Nos cenários detalhados pelo órgão para 31 de outubro, um ritmo de descida como o de 2023 levaria o rio a 13,37 m; um como o de 2024, a 16,32 m; no pior cenário, a cota ficaria abaixo de 13 m. O SGB ressalta que as projeções estão sujeitas a incertezas e que os cálculos partiram da cota de 31 de agosto (24,19 m).

O impacto já é estadual: segundo boletim da Defesa Civil do Amazonas citado pelo g1, 22 dos 62 municípios estavam em situação de emergência em 1º de outubro, outros 18 em alerta e 13 em atenção. O governo estadual informou ter enviado 167 kits de purificação de água a municípios afetados neste ano.

Análise: o poder público está preparado?

Leitura do Politiza Amazonas. O Amazonas viveu secas severas em 2023 e 2024 e, mesmo assim, chega a outubro de 2026 com mais de um terço dos municípios em emergência e o principal rio da capital descendo cerca de 10 cm por dia. A seca deixou de ser surpresa; virou calendário. As perguntas que cabem ao governo do estado, à Prefeitura de Manaus e aos dois candidatos ao governo são diretas: qual é o plano para água potável, transporte fluvial, abastecimento e aulas nas comunidades isoladas se o rio chegar perto dos 12 m? E 167 kits de purificação para 22 municípios em emergência dão conta de quantas famílias? Em pleno segundo turno, o eleitor do interior merece respostas com números, não só visitas de campanha.

Outro lado: o Politiza não obteve, até a publicação, posicionamento do Governo do Amazonas, da Defesa Civil estadual ou da Prefeitura de Manaus sobre o plano de resposta à estiagem. O espaço segue aberto.

Foto: Sara Rangel (via g1 Amazonas)

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/02/rio-negro-esta-quase-4-metros-abaixo-do-nivel-registrado-no-mesmo-periodo-de-2025-em-manaus.ghtml; R7 — https://noticias.r7.com/amazonas/rio-negro-cai-quase-4-metros-em-um-ano-e-chega-a-1859-metros-em-manaus-05102026/; Porto de Manaus — https://portodemanaus.com.br/nivel-do-rio-negro/; SGB — https://www.sgb.gov.br/w/alerta-de-vazante-analise-do-cenario-indica-que-rio-negro-em-manaus-pode-ter-cotas-entre-12-31-m-e-16-50-m-no-pico-da-seca; ANA — https://www.gov.br/ana/pt-br/sala-de-situacao/rio-amazonas/boletins/diario/boletim_01_amazonas_publica0210.pdf

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *